Covid de candidato força quarentena de rivais e campanha virtual no Chile

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FLORIANÓPOLIS, SC (FOLHAPRESS) - Com a campanha à Presidência do Chile paralisada devido à Covid-19 a 18 dias da eleição, uma pesquisa mostra os candidatos Gabriel Boric, esquerdista, e José Antonio Kast, de extrema direita, em uma disputa acirrada pela liderança.

O levantamento Criteria divulgado nesta quinta-feira (4) aponta Boric com 24% e Kast com 23% das intenções de voto para ser o sucessor de Sebastián Piñera. Já na pesquisa Data Influye, publicada nesta quarta (3), a diferença é um pouco maior, com o esquerdista liderando com 32%, seguido pelo conservador, que tem 27%.

Em meio à disputa acirrada entre os dois presidenciáveis, 6 dos 7 candidatos precisaram paralisar suas campanhas após Boric receber o resultado positivo para Covid-19. Segundo pessoas próximas, o esquerdista, que foi vacinado, tem febre.

Ainda que os demais candidatos não tenham tido resultados positivos para Covid-19, as restrições no Chile exigem que qualquer pessoa que tenha tido contato fique isolado por sete dias. O único que não foi afetado é o economista Franco Parisi, que mora nos EUA.

Após o caso confirmado, entrevistas coletivas passaram para o ambiente virtual, e viagens foram canceladas. Nesta quinta, os candidatos participaram de um novo debate, em formato digital, em um fórum sobre governo e desenvolvimento de cidades.

Um dos impactados pelo isolamento é justamente o principal rival de Boric. Kast, que disparou nas pesquisas após o debate de 22 de setembro, garantiu em vídeo publicado em rede social que irá seguir as normas sanitárias. "Espero vê-los novamente em breve."

A campanha do advogado direitista, no entanto, já tinha forte presença online. O candidato investiu em uma estratégia forte nas redes sociais, que incluem o TikTok. Na plataforma, ele responde a perguntas de eleitores, faz dancinhas e mostra sua campanha pelo interior do Chile --ele disputou a Presidência em 2017, conquistando 8% dos votos.

Conhecido por suas frases elogiosas ao período ditatorial do Chile, o conservador é um dos principais críticos da Assembleia Constituinte do país e defende uma plataforma anti-imigração.

Já o governista Sebastian Sichel, que fez movimento oposto de Kast e caiu nas pesquisas, afirmou em rede social que irá compartilhar online suas propostas, mas já anunciou seu retorno às ruas para terça (9).

Assim como Sichel, os demais candidatos não passam dos 10% das intenções de voto. Senadora democrata-cristã, Yasna Provoste ocupa a terceira posição (9%), seguida por Sichel e Parisi, ambos com 8%, Marco Enríquez-Ominami (6%) e Eduardo Artés (2%).

Para ser eleito em primeiro turno, que acontece em 21 de novembro, o candidato precisa conquistar mais de 50% dos votos, cenário que se mostra cada vez mais difícil. Neste dia, serão decididos ainda os novos membros do Congresso e de 16 conselhos regionais, e o provável segundo turno presidencial está marcado para 19 de dezembro. O novo presidente assume em 11 de março de 2022.

Um dos desafios que já se desenham para o futuro são os conflitos por terra. Os embates entre o Estado e os povos indígenas mapuche inclusive já extrapolaram a região da Patagônia, onde ocorrem desde o século 19, e passaram a integrar parte importante das narrativas das campanhas de candidatos.

Kast chama os mapuche que protestam de terroristas e defende o uso das Forças Armadas nas desocupações de terra. Já Boric afirma que "há muito o que aprender com os mapuche". Na campanha, vinha viajando ao sul, afirmando que, se eleito, reconhecerá a soberania mapuche e implementará políticas de inclusão.

A população mapuche habita a região conhecida como Araucania desde o século 5, portanto muito antes da chegada dos conquistadores espanhóis, no século 16. Embora existam diversas tribos e ramificações, os mapuche compartilham uma forte identidade comum no vestuário, nos costumes e em seu idioma, o mapudungún. No Chile, a população desses indígenas é de 1,8 milhão de pessoas.

Recentemente, o governo de Piñera enviou militares à região sul devido a uma série de invasões e ataques realizados por grupos mapuche a fazendas e comércios.

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