Covid e influenza ao mesmo tempo: casos crescem no Brasil; entenda o que acontece

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Portrait of a cute african american boy in mask at home - contagion of the Novel Coronavirus 2019- ncov - virus incubation isolation
No Brasil, estão sendo mais comuns casos de pessoas com coinfecção simultânea de Covid-19 e Influenza. (Foto: Getty Images)

Casos de pessoas com coinfecção simultânea de Covid-19 e Influenza estão tornando-se comuns no Brasil. 

As ocorrências das duas doenças ao mesmo tempo, já registradas e sob investigação nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, são chamadas informalmente de "flurona" — uma combinação dos termos "flu" ("gripe", em inglês) e "corona" (derivado "coronavírus")

No domingo (2), o Ministério da Saúde de Israel confirmou o primeiro caso de "flurona" no país. A paciente é uma mulher grávida internada com sintomas leves no Rabin Medical Center, na cidade de Petah Tikva. 

De acordo com a unidade de saúde, ela não recebeu as vacinas contra o novo coronavírus nem o influenza. As autoridades do país estudavam o caso para saber se a contaminação ao mesmo tempo poderia acarretar um quadro mais grave de qualquer uma das doenças.

No Brasil, três casos foram diagnosticados e confirmados pela Secretaria de Saúde do Ceará, na semana passada. 

As duas crianças chegaram a ser internadas, mas receberam alta, enquanto o caso de "flurona" em adulto de 52 anos não necessitou de hospitalização.

Um outro caso está sendo investigado no Rio de Janeiro, envolvendo um adolescente de 16 anos. O jovem é vacinado contra a Covid-19 e Gripe, e apresenta apenas sintomas leves e cumpre isolamento em casa.

Médicos relatam vários casos de "flurona" em São Paulo

Na capital paulista, médicos do Hospital Israelita Albert Einstein relataram "vários casos" da associação dos dois vírus. Um deles ocorreu com uma criança de 4 anos, no final de dezembro, com a confirmação laboratorial das duas infecções.

Os primeiros sintomas começaram a aparecer no dia 27 de dezembro, segundo relato da mãe da criança. 

"No dia 27 à noite, meu filho começou a ter febre. Chegou a ter 40ºC de febre. Tentamos dar medicação, mas como ele é bem difícil de tomar remédio. Eu e meu marido demos um banho nele para baixar a febre, mas no dia seguinte fomos de manhã ao pediatra porque a febre continuava bem alta", conta ela.

Entre os principais sintomas estavam abundância de secreção no nariz, dor no corpo, na cabeça e garganta. 

Na avaliação do pediatra, o quadro foi inicialmente diagnosticado como Influenza por conta do quadro geral. "Mas como estamos em pandemia, pedi para ele incluir um teste de Covid também", completa. 

No dia seguinte, os dois exames feitos no Laboratório Fleury, da República do Líbano, atestaram as infecções por Influenza A e Covid-19, ao mesmo tempo.

"Ligamos, imediatamente, para o pediatra e ele disse que é possível ter as duas infecções ao mesmo tempo. Ele me acalmou esclarecendo que no laudo do exame de Covid constava a informação de que tinha sido detectada amplificação tardia de RNA de Sars-Cov-2, o que corresponde a carga viral baixa, próxima ao limite de detecção do teste. Ou seja, o índice de transmissão era baixo e provavelmente era uma infecção já caminhando para o fim."

Exames feitos no Laboratório Fleury comprovaram a infecção simultânea de Influenza A e Covid-19 no paciente de 4 anos. (Foto: Yahoo Notícias)
Exames feitos no Laboratório Fleury comprovaram a infecção simultânea de Influenza A e Covid-19 no paciente de 4 anos. (Foto: Yahoo Notícias)

Apesar de não haver casos confirmados oficialmente pelos órgãos de Saúde sobre infecções simultâneas em São Paulo, a mãe afirma que ocorrências da "flurona" têm sido conhecidas entre os profissionais de saúde.

"O que eu ouvi de todos os enfermeiros e médicos dos laboratórios que eu fui é que: sim, estão acontecendo casos de co-infecção de covid e influenza, 'flurona'". Na avaliação dela, há um erro no procedimento adotado até agora nos hospitais ao pedir um só exame. 

"Os hospitais estão lotados e há um equívoco em alguns médicos pedirem só exame de covid, ou só de influenza. Os médicos precisam pedir os 2 testes, para saber se há co-infecção, ou não."

Os casos de coinfecção costumam aparecer quando o paciente que apresenta sintomas é submetido a um teste do tipo painel viral — no qual uma amostra é analisada para vários tipos de vírus ao mesmo tempo. Esses testes normalmente são feitos em laboratórios privados. 

No cenário de pandemia de Covid-19, os laboratórios públicos estão priorizando a realização de testes para identificar o coronavírus.

O Yahoo Notícias procurou o Hospital Albert Einstein e o Laboratório Fleury para confirmação dos diagnósticos, mas não houve retorno até a publicação desta matéria

As internações por influenza começaram a crescer no mês de dezembro e, desde a 49ª Semana Epidemiológica (entre os dias 5 e 11 de dezembro) há mais hospitalizações por gripe do que por covid-19 na cidade de São Paulo. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
As internações por influenza começaram a crescer no mês de dezembro e, desde a 49ª Semana Epidemiológica (entre os dias 5 e 11 de dezembro) há mais hospitalizações por gripe do que por covid-19 na cidade de São Paulo. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Com confusão de sintomas, casos de gripe e covid sobem em SP

Com o aumento dos casos de influenza nas últimas semanas, ficou mais difícil identificar os sintomas para diagnosticar a gripe ou a Covid.

A transmissão comunitária da variante ômicron e o surto de gripe têm enchido farmácias e hospitais na região metropolitana de São Paulo em meio às festas de final de ano e estão causando preocupações a médicos e autoridades.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, o atendimento de pessoas na rede pública com algum quadro respiratório mais do que dobrou neste mês de dezembro em relação a novembro.

De acordo com o governo estadual, a taxa de internação por covid voltou a subir após meses consecutivos de queda progressiva.

Para médicos, as semelhanças entre a gripe influenza e a nova variante do coronavírus têm criado confusão nos pacientes e dificultado ainda mais o diagnóstico e a contenção dos dois vírus.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, até a última segunda (27), foram registrados 238.081 atendimentos a pessoas com quadro respiratório, um aumento de 112% em relação ao último mês.

A prefeitura não informa a quantidade exata de casos confirmados da gripe influenza H3N2, que tem causado o novo surto, mas "outros vírus respiratórios" representam 54% dos atendimentos —em novembro, eram 49%.

Saiba como diferenciar os sintomas da Ômicron, Delta ou gripe

Em meio ao surto de influenza e à pandemia, no Brasil, a alta das doenças respiratórias já foi constatada em várias cidades.

Saiba como identificar cada uma delas para proteger a sua saúde e também a do próximo. Veja os sintomas mais comuns de cada variante; Ômicron, Delta e gripe.

Gripe (Influenza A ou B)

A gripe - infecção pelo vírus da influenza apresenta sintomas agudos nos primeiros dias. A nova cepa H3N2 está provocando surtos atípicos em várias cidades brasileiras, suspeita-se que tenha se espalhado aqui fora de hora devido a baixa adesão de vacina da gripe e o relaxamento das medidas restritivas.

A vacina da gripe está disponível para todos os brasileiros nos postos de saúde, e ajuda a proteger contra a nova cepa.

Os principais sintomas:

  • coriza

  • tosse

  • dor de garganta

  • dor no corpo

  • dor de cabeça

  • fraqueza, e

  • febre

Os pacientes com esses sintomas devem passar por um isolamento de 7 dias para evitar contaminar outras pessoas, além de fazer repouso, ter boa alimentação e hidratação.

Ômicron (nova variante da Covid-19)

A variante designada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), foi detectada e anunciada pelo Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul (NICD). Segundo a OMS, já se sabe que a ômicron é uma variante altamente transmissível e com grande número de mutações. A notícia da nova variante provocou uma reação rápida em vários países.

Sintomas mais comuns:

  • cansaço extremo

  • dores pelo corpo

  • dor de cabeça, e

  • dor de garganta

Delta (variante predominante em 2021 da Covid-19)

A maioria dos casos de Covid-19 surgem entre cinco a 14 dias após a infecção, mas a grande maioria permanece assintomática. Em casos graves, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que se procure ajuda médica. A boa notícia é que as vacinas contra Covid-19 já confirmaram ser capazes de neutralizar o vírus e suas variantes.

Dados do Centro Europeu para Controle e Prevenção de Doenças indicam que os vacinados infectados com a Delta tendem a ser assintomáticos ou apresentar sintomas leves.

Sintomas mais comuns:

  • febre

  • tosse persistente

  • corizas

  • espirros

  • dor de cabeça, e

  • dor de garganta

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