Covid enterra os sonhos de muçulmanos mais velhos de fazer peregrinação a Meca

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Foto de arquivo de peregrinos caminhando ao redor da Kaaba em Meca, Arábia Saudita, em 31 de julho de 2020

Pelo segundo ano consecutivo, a Arábia Saudita restringiu o Haje, peregrinação anual à cidade da Meca, a um pequeno número de colonos, deixando de fora milhões de estrangeiros que costumam viajar para o ritual que todo muçulmano deve realizar pelo menos uma vez na vida.

Samia Ahmed esconomizou por 16 anos, mas como muitos muçulmanos idosos, ela teme que as novas restrições da covid-19 a impeçam de realizar seu sonho.

Com a saúde debilitada, Ahmed, uma egípcia de 68 anos, chorou por dias quando as restrições foram anunciadas no ano passado, quando a pandemia do coronavírus começou.

“Eu paguei a agência de viagens e comecei a preparar tudo”, disse a aposentada.

O Haje é considerado um momento de pico na vida religiosa muçulmana, unindo milhões de crentes que vão cumprir um dever espiritual nos locais mais sagrados do Islã.

Entre os rituais que realizam, os peregrinos caminham sete vezes ao redor da Kaaba, um edifício cúbico em torno do qual foi construído a Grande Mesquita e na direção que os muçulmanos oram cinco vezes por dia.

Os fiéis pernoitam no Vale do Mina, a 5 km de distância, e reúnem várias dezenas de pedras para realizar o simbólico "apedrejamento do diabo".

- Encontrar Deus -

Aqueles com recursos podem se hospedar em hotéis luxuosos da Meca, mas adoradores pobres ou de renda modesta fazem grandes sacrifícios ao longo dos anos para ser um dos 2,5 milhões que participam do festival em um ano normal.

Em 2020, apenas 10.000 pessoas da Arábia Saudita foram capazes de fazer a viagem à cidade mais sagrada do Islã, no oeste do reino.

Para este ano, o país ampliou para 60 mil moradores entre 18 e 65 anos, vacinados contra o coronavírus e não portadores de doenças crônicas.

Isso exclui pessoas como Ahmed, que sofre de diabetes e hipertensão, embora ela diga que pagou 100.000 libras egípcias (6.400 dólares) para participar.

“Tenho poucas chances porque no futuro eles escolherão peregrinos mais jovens e saudáveis”, disse.

Mohamed Essam, dono de uma agência de viagens no Cairo, diz que dois terços das pessoas que compram viagens para o hajj têm mais de 60 anos.

Este ano, muitos expressaram "tristeza, frustração e raiva", afirmou Essam. "A maioria dos peregrinos ao redor do mundo são mais velhos. As pessoas começam a pensar no haje quando têm dinheiro economizado", disse ele à AFP em seu escritório, decorado com fotos da Grande Mesquita de Meca.

Fiéis de países asiáticos como Indonésia, Malásia e Paquistão são uma grande parte dos participantes do haje, e muitos deles esperam anos pela oportunidade de fazer a jornada.

Jumina, uma indonésia de 65 anos, vem economizando por décadas, e sua família se preparou para comemorar sua partida.

"Estou muito decepcionada porque havia preparado tudo para a viagem", disse a mulher, que tomou duas doses da vacina contra a covid-19, à AFP.

“Se eu ainda tiver saúde da próxima vez, irei. Confiamos em Deus”, concluiu.

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