Covid fez ao menos 275 escolas municipais de São Paulo suspenderem aulas

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A escalada de casos de Covid-19 levou, pelo menos, 275 escolas da rede municipal de São Paulo a suspenderem as aulas entre os dias 23 de maio a 15 de junho deste ano. É o que aponta uma pesquisa feita pelo Crece (Conselho de Representantes dos Conselhos de Escola).

O órgão colegiado, que reúne pais de alunos e profissionais da educação, enviou questionários para 1.510 unidades da rede municipal e recebeu respostas de 522 delas. Houve o registro de novos casos da doença em 480 escolas.

Na Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Alexandre de Gusmão, no Jardim Guaianazes, zona leste da capital, 11 professores e dois funcionários do setor administrativo foram diagnosticados com o vírus na semana passada, diz a diretora Vivian Alves Lima.

"A escola é um ambiente propício para propagação do vírus, com constante aglomeração e a desobrigatoriedade da máscara", afirma ela.

A suspensão da atividade afeta o aprendizado e, segundo Vivian, ainda pesa no bolso dos servidores da SME. "O professor é punido duas vezes, por ficar doente e, afastado por uma semana ou mais, perde o direito ao PDE [Prêmio de Desempenho Educacional]."

A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) publicou uma portaria, na última terça (21), na qual diz que não é mais indicada a suspensão de aulas e atividades mediante casos de coronavírus. Alunos e funcionários sem sintomas, ainda que tenham tido contato com alguém com suspeita ou confirmação de infecção, não serão afastados.

Com o levantamento, o Crece pretende forçar o debate com a Secretaria Municipal de Educação (SME) para que a rede municipal retome o uso de máscaras de forma obrigatória.

"Embora a gente defenda o uso da máscara, houve um relaxamento e inclusive no cotidiano escolar. Temos professores afastados, adoecidos [não só pela Covid], e não é tão simples encontrar substitutos", diz Marcelo Costa Sena, professor na Emef Três Lagos e diretor na Emei (Escola Municipal de Educação Infantil) Navegantes, ambas no Grajaú.

Ainda conforme a portaria, a máscara só será obrigatória quando houver a confirmação de dois casos na mesma unidade. Nas creches e pré-escolas, a obrigatoriedade vale apenas para os adultos. Já nas escolas de ensino fundamental e médio passa a ser obrigatória também para os alunos.

Em todas as situações, a obrigatoriedade vale por 14 dias após a confirmação do segundo caso de Covid.

Outra reivindicação da Crece, segundo Melissa Ribeiro Saraiva, integrante do conselho, é para que os alunos e servidores sejam testados com frequência nas Unidades Básicas de Saúde.

"É preciso criar planejamento para as UBS seguirem. A pesquisa trouxe relatos de quem apresentou dois sintomas e não foi testado e de contactantes que o médico não viu necessidade de testá-lo", afirma Melissa.

"Ficamos assustados com as respostas porque as crianças e os bebês não se vacinaram e estão expostos. Muitos adolescentes não completaram o esquema vacinal", diz a conselheira, que é mãe de um aluno matriculado na 8ª série.

A nova portaria define que os assintomáticos devem seguir com as atividades escolares e somente será testado quem apresentar sintomas.

"Ficou acordada a testagem [após novos casos], mas professores já foram à UBS, e o médico diz que não era necessário", conta o professor e diretor Sena.

A reportagem enviou cinco perguntas à prefeitura nesta quarta (22), entre as quais sobre a queixa com a falta de testagem e os indicadores apresentados pelo Crece, mas não recebeu respostas especificamente a elas.

Em nota, a SMS afirma que as instituições de ensino que constatarem a ocorrência de casos de síndrome gripal por Covid-19 deverão notificar a UBS de sua área.

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