COVID levou 100 milhões de pessoas para pobreza extrema

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Pandemia de coronavírus piorou a enorme lacuna financeira entre ricos e pobres em todo o mundo, concluiu um novo relatório. (Getty Images) (Getty Images)
  • Pandemia de coronavírus piorou a enorme lacuna financeira entre ricos e pobres em todo o mundo

  • Pandemia empurrou cerca de 100 milhões de pessoas para a pobreza extrema

  • Os 10% mais ricos da população global controlam 76% da riqueza mundial

A pandemia de coronavírus piorou a enorme lacuna financeira entre ricos e pobres em todo o mundo, concluiu um novo relatório. Bilionários globais no ano passado desfrutaram do maior aumento em sua parcela de riqueza desde que o Laboratório de Desigualdade Mundial começou a manter registros em 1995, de acordo com a análise do grupo de pesquisa divulgada na terça-feira (12). Seu patrimônio líquido cresceu mais de US$ 3,6 trilhões (R$ 20 trilhões) somente em 2020, aumentando sua participação na riqueza familiar global para 3,5%.

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Ao mesmo tempo, a pandemia empurrou cerca de 100 milhões de pessoas para a pobreza extrema, elevando o total global para 711 milhões em 2021, de acordo com uma estimativa do Banco Mundial citada pela análise. Ainda mais pessoas teriam caído na pobreza se muitos países desenvolvidos não tivessem realizado esforços de socorro para proteger seus residentes das consequências financeiras da pandemia de Covid-19.

O Relatório de Desigualdade Mundial é baseado em mais de quatro anos de trabalho de mais de 100 pesquisadores em todo o mundo. Os especialistas em desigualdade de longa data Emmanuel Saez e Gabriel Zucman, ambos da University of California, Berkeley, e Thomas Piketty, da Paris School of Economics, coordenaram o relatório.

Embora a Covid-19 tenha aprofundado a divisão entre ricos e pobres, o mundo sempre foi desigual. A desregulamentação financeira, a privatização e a tributação menos progressiva nos países mais ricos e a privatização em grande escala nas economias emergentes ajudaram a impulsionar as fortunas dos ricos nas últimas décadas, disse o relatório. A desigualdade global está próxima de onde estava no auge do imperialismo ocidental no início do século 20, observou.

O relatório recomenda a cobrança de um imposto sobre os ricos para gerar receitas que os governos possam usar para reduzir a desigualdade e investir em educação, saúde e medidas ecológicas. Nos Estados Unidos, alguns democratas recentemente lançaram um plano para taxar bilionários para pagar por sua proposta de expansão da rede de segurança social, mas o esforço desvaneceu-se rapidamente.

10% mais ricos controlam 76% da riqueza mundial

Os 10% mais ricos da população global controlam 76% da riqueza mundial em 2021, de acordo com a análise. Em contraste, os 50% mais pobres possuem apenas 2%. Os 40% médios, por sua vez, possuem 22%. Quando se trata de receita, os 10% mais ricos capturam 52% da receita global, enquanto os 50% mais pobres ganham apenas 8%. Os 40% intermediários perfazem 39%.

O 1% do topo capturou 38% do crescimento da riqueza global entre 1995 e 2021, enquanto os 50% da base garantiram apenas 2%, concluiu o relatório. As fortunas dos ricos se expandiram a uma taxa muito mais rápida - entre 3% e 9% ao ano durante esse período. Mas a metade mais pobre viu sua riqueza crescer apenas entre 3% e 4% ao ano. E como eles possuem muito pouca riqueza, o valor total não aumentou muito.

A América Latina tem a maior divisão entre os 10% do topo, que controla 77% da riqueza, e os 50% da base, que possui apenas 1%. Em contraste, a Europa tem a menor lacuna. Os 10% mais ricos possuem 58% da riqueza total, contra 4% dos 50% mais pobres.

O grande número de programas públicos disponíveis para residentes de baixa renda e classe média - incluindo educação gratuita, saúde e cultura - estão entre as razões pelas quais a Europa é uma sociedade menos desigual.

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