Covid longa: maioria dos sintomas se resolvem em até um ano, e risco é menor entre vacinados

O quadro chamado de Covid longa – persistência dos sintomas relacionados ao novo coronavírus por ao menos três meses após a infecção, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) – se revolve em menos de um ano para a maioria dos pacientes que tiveram casos leves da doença. É o que afirma um novo estudo conduzido por pesquisadores israelenses e publicado na revista científica The BMJ.

Além disso, aqueles que foram vacinados tiveram um risco menor de desenvolver dificuldades respiratórias, como falta de ar, a longo prazo, sequela mais comum identificada pelos responsáveis do trabalho.

O estudo se junta a um extenso corpo de evidências que busca desvendar a síndrome da Covid longa e entender os diferentes impactos a depender da gravidade da infecção, do status de vacinação, entre outros fatores.

O interesse dos cientistas é alto uma vez que diversos trabalhos feitos pelo mundo apontam uma alta prevalência das queixas persistentes. Um deles, conduzido pela Fiocruz, por exemplo, chegou a estimar que 50,2% de cerca de 650 pacientes ainda tinham sequelas após 14 meses da contaminação.

O trabalho, no entanto, é um dos que apontam estimativas mais altas e tem diferenças, como ter sido realizado majoritariamente no período pré-vacinas e com pacientes que passaram por unidades hospitalares devido à doença, ou seja, tiveram formas mais graves da Covid.

Agora, novos trabalhos têm reforçado que os riscos associados à Covid longa, embora existentes, são menores para aqueles com quadros mais leves e que receberam as doses dos imunizantes.

É o caso do novo estudo israelense, que analisou dados de aproximadamente dois milhões de pessoas disponíveis por meio de uma organização de saúde pública do país. Foram incluídos na avaliação indivíduos fizeram testes para a Covid-19 no período entre março de 2020, quando começou a crise sanitária, e outubro de 2021, em meio à predominância da variante Delta, antes da Ômicron.

Eles selecionaram cerca de 70 condições associadas à Covid longa, como fadiga, falta de ar, dores musculares, névoa mental, perda de memória, tosse persistente, entre outras, e compararam os registros entre pessoas infectadas e não infectadas. Em seguida, analisaram os números a partir do status de vacinação. Pacientes que tivessem sido admitidos em hospitais foram excluídos para limitar o estudo a casos leves do novo coronavírus.

Os cientistas corrigiram ainda durante a análise possíveis fatores que poderiam afetar os resultados, como ingestão de álcool, tabagismo, diferentes níveis socioeconômicos e doenças crônicas pré-existentes.

Riscos existem, mas caem com o tempo

Os pesquisadores separaram a análise em dois períodos pós-infecção: o inicial, considerado de 1 a 6 meses após a contaminação, e o tardio, de 6 a 12 meses depois. Os dados mostraram que uma infecção da Covid-19 foi de fato associada a um aumento de uma série de condições de saúde.

Perda de olfato e paladar, comprometimento da concentração e da memória, dificuldades respiratórias, fadiga, palpitações, amigdalite estreptocócica (bacteriana) e tontura foram sintomas identificados até o período tardio, ou seja, durante todo o tempo do estudo.

No entanto, os resultados mostraram que muitos outros, como perda de cabelo, dor no peito, tosse, dores musculares e distúrbios pulmonares foram registrados apenas nos primeiros seis meses. Além disso, que a incidência dos sintomas observados durante toda a análise caiu na segunda etapa, indicando que muitas queixas se resolveram no prazo de um ano.

A perda de olfato e paladar, por exemplo, foi 4,5 vezes maior nos primeiros seis meses após a infecção em comparação a indivíduos que não foram contaminados. Mas, no período subsequente, as queixas caíram, e o risco passou a ser menor de 3 vezes.

Em relação à vacinação, foi constatada uma redução significativa no risco para os vacinados em relação às dificuldades respiratórias, sintoma mais comum junto à fadiga relatado pelos pacientes. Para as demais queixas, porém, o status de imunização não influenciou na incidência.

“Nosso estudo sugere que pacientes leves com Covid-19 correm risco de um pequeno número de problemas de saúde (a longo prazo) e a maioria deles é resolvida dentro de um ano após o diagnóstico. É importante ressaltar que o risco de dispneia (falta de ar) persistente foi reduzido em pacientes vacinados com infecção avançada em comparação com pessoas não vacinadas, enquanto os riscos de todos os outros resultados foram comparáveis”, escreveram os pesquisadores.