Covid longa: novo estudo mostra os sintomas em crianças e adolescentes

Além dos riscos relacionados à fase aguda da infecção – como hospitalização e óbito –, um dos problemas da Covid-19 ainda sendo desvendado pelos cientistas é a chamada Covid longa: a persistência de sintomas mesmo após o período da contaminação. O quadro não afeta apenas adultos, com diversas crianças e adolescentes relatando casos de tosse contínua, dificuldades de concentração e outras sequelas da doença. Agora, um novo estudo dinamarquês, publicado na revista científica The Lancet Child and Adolescent Health, identificou as queixas mais comuns em indivíduos de até 14 anos de idade – que alcançam cerca de 30% dos contaminados.

Suspeita de Covid-19? De tosse persistente a dor de garganta, confira os sintomas da doença em quem tomou duas ou mais doses

Remédio para pressão alta com impureza': Anvisa determina interdição e recolhimento de lotes do Losartana

Para isso, os pesquisadores utilizaram bancos de dados do país e enviaram questionários para responsáveis de crianças que tiveram e não tiveram Covid-19 entre o início da pandemia, em 2020, e julho de 2021. Os relatos foram preenchidos entre julho e setembro do ano passado por 10.997 responsáveis de indivíduos infectados e 33.016 de que não contraíram a doença.

A análise das respostas e comparação dos casos de sintomas entre os dois grupos mostrou que o quadro caracterizado como Covid longa estava presente em 31% das crianças de até 3 anos; 26,5% daquelas entre 4 e 11 anos e em 32,5% dos adolescentes de 12 a 14 anos.

Alimentação é suficiente: Não há benefícios no consumo de vitaminas por adultos saudáveis, diz força-tarefa dos EUA; entenda

No primeiro grupo, de até 3 anos, as queixas mais comuns foram irritações na pele, alterações de humor, dores de estômago, perda de apetite e tosse. Já na faixa etária de 4 a 11 anos, as dificuldades de concentração, dificuldades de memória, assim como as irritações cutâneas e alterações de humor, foram mais frequentes.

Entre os mais velhos, de 12 a 14 anos, os principais relatos foram de alterações de humor, dificuldades de concentração, dificuldades de memória e fadiga. Os pesquisadores identificaram esses sinais por um período de pelo menos dois meses em todos os grupos – tempo necessário para a definição de Covid longa segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Porém, eles afirmam no estudo que, com o tempo, a tendência foi que os sintomas diminuíssem.

Dorme com a luz acesa? Hábito pode aumentar risco de obesidade, pressão alta e diabetes, diz novo estudo; entenda por quê

Além disso, nas duas primeiras faixas etárias analisadas, os relatos não tiveram uma diferença na incidência entre meninos e meninas. Porém, nos adolescentes, as mulheres foram mais afetadas pelo quadro. A maior probabilidade de a Covid longa afetar pessoas do sexo feminino já é algo observado por uma série de estudos sobre o tema. Um estudo recente publicado na revista científica Current Medical Research and Opinion levantou a hipótese de que o risco maior pode estar associado a mudanças no sistema imunológico.

"As diferenças na função do sistema imunológico entre mulheres e homens podem ser um importante fator de diferenças sexuais na Covid longa. As mulheres montam respostas imunes inatas e adaptativas mais rápidas e robustas, que podem protegê-las da infecção inicial e da gravidade. No entanto, essa mesma diferença pode tornar o sexo feminino mais vulnerável a doenças autoimunes prolongadas ", escreveram os cientistas no estudo.

Se for ao shopping não beba café: Estudo mostra que consumo da cafeína está relacionada à impulsividade durante as compras

Os pesquisadores do trabalho dinamarquês publicado na Lancet destacam que as crianças estão, no momento, em maior risco de Covid-19 e de consequências pós-infecção devido a faixas etárias ainda não contempladas na campanha de vacinação – apenas os Estados Unidos imunizam bebês a partir de 6 meses. Além disso, destacam que, entre aqueles elegíveis (crianças a partir de 5 anos), a adesão às vacinas é baixa e medidas como distanciamento social são mais difíceis de serem implementadas em escolas, por exemplo.

“Mais pesquisas devem estudar diagnósticos pós-Covid-19, medicamentos prescritos e uso de cuidados de saúde para entender melhor os grupos de sintomas e as consequências a longo prazo da Covid-19 e da pandemia em crianças”, defenderam os autores do estudo.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos