Covid longa: obesidade e perda de cabelo são indicativos do problema

(Foto: Getty Images)
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Enquanto os registros oficiais apontam para mais de 500 milhões de pessoas infectadas pelo Sars-CoV-2 no mundo, uma das faces da doença que ganha destaque é a persistência dos sintomas chamada de Covid longa. Relatos de confusão mental, fadiga excessiva, problemas com memória e tosse contínua, mesmo meses após a contaminação, são alguns que têm se tornado frequentes e despertado o interesse da comunidade científica.

Agora, um novo estudo publicado no periódico Scientific Reports, identificou que 23% daqueles que tiveram a Covid-19 desenvolvem o quadro, e que a obesidade e a perda de cabelo durante a infecção são alguns preditores para o problema.

Conduzido por pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos Estados Unidos, o novo trabalho utilizou dados de um questionário nacional respondido por mais de oito mil americanos entre o início da pandemia até março de 2021. Depois, analisou o perfil de infectados que se enquadravam no conceito de Covid longa – sintomas persistentes por três meses ou mais, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"A Covid longa é uma grande preocupação de saúde pública. 23% é uma prevalência muito alta e pode se traduzir em milhões de pessoas. Mais conhecimento sobre sua prevalência, sintomas persistentes e fatores de risco podem ajudar os profissionais de saúde a alocar recursos e serviços para ajudar os transportadores de longa distância a voltarem à vida normal”, afirma o autor do estudo Qiao Wu, pesquisador da USC.

Um estudo anterior da Fiocruz, publicado na revista científica Transactions of The Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene, já havia apontado uma incidência alta do problema: 50,2% dos infectados relatavam a Covid longa. Os pesquisadores da USC explicam que percentuais diferentes podem ser encontrados a depender dos critérios de avaliação. No novo trabalho, eles levaram em consideração, por exemplo, quem já tinha alguns dos sintomas anteriormente devido a outras condições de saúde, como alergias.

Analisando o perfil dos pacientes, os cientistas identificaram alguns fatores que levam a uma probabilidade maior de desenvolver o quadro. São eles:

  • Pessoas obesas;

  • Pacientes que tiveram perda de cabelo durante a doença;

  • Pacientes que tiveram dores de cabeça durante a doença;

  • Pacientes que tiveram dores de garganta durante a doença.

Além disso, constataram de forma surpreendente que aqueles que relataram congestão no peito durante a infecção foram menos prováveis de desenvolver a Covid longa. Também afirmaram não terem encontrado evidências suficientes para associar um maior risco a fatores como asma, diabetes ou tabagismo.

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Em relação aos sintomas duradouros, 22% relataram dores de cabeça constantes, 19% nariz escorrendo ou entupido, 18% desconforto abdominal, 17% fadiga e 13% diarreia.

Outros fatores de risco

No último mês, um estudo publicado na revista científica Nature Communications, conduzido por pesquisadores do Reino Unido, também identificou fatores de risco para o problema a partir da análise de dados de 1,1 milhão de britânicos diagnosticados com a Covid-19.

Além de pessoas obesas, que também foi observada no novo estudo da USC, os cientistas da University College London concluíram que os grupos mais afetados pela síndrome são:

  • Mulheres;

  • Pessoas entre 50 e 60 anos;

  • Pessoas com saúde mental ou física fragilizada antes da pandemia.

Embora o trabalho mais recente da USC não tenha encontrado evidências de que a asma seria um fator de risco, na análise dos pesquisadores britânicos a Covid longa teve sim uma prevalência maior entre os asmáticos.

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A maior incidência entre mulheres também já foi alvo de outros trabalhos, inclusive sobre a síndrome em crianças e adolescentes. Um deles, publicado na revista científica Current Medical Research and Opinion levantou a hipótese de que o risco maior pode estar associado a mudanças no sistema imunológico.

"As diferenças na função do sistema imunológico entre mulheres e homens podem ser um importante fator de diferenças sexuais na Covid longa. As mulheres montam respostas imunes inatas e adaptativas mais rápidas e robustas, que podem protegê-las da infecção inicial e da gravidade. No entanto, essa mesma diferença pode tornar o sexo feminino mais vulnerável a doenças autoimunes prolongadas ", escreveram os cientistas no estudo.

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