Covid: o quanto ainda estou protegido um ano após ter sido vacinado e infectado?

Tendo passado dois anos desde que a vacinação contra a Covid-19 teve início no mundo, pesquisadores buscam entender até que ponto as doses ainda conferem proteção para formas graves da doença mesmo a longo prazo.

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Um novo estudo, conduzido por um time internacional de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de outras instituições, analisou mais de 20 trabalhos sobre o tema, publicados até junho de 2022, para chegar a uma resposta. Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet Infectious Diseases.

Os cientistas explicam que os principais achados foram a confirmação de que a proteção é superior entre aqueles que receberam as vacinas, chegando a passar 95% para formas graves, em comparação com os que somente foram contaminados. O dado está alinhado com uma série de trabalhos que destacam os limites de uma infecção em gerar sozinha uma resposta imunológica forte.

"Os resultados reforçam o imperativo global da vacinação. Uma dúvida comum durante a pandemia foi se pessoas previamente infectadas também deveriam ser vacinadas. Nossos resultados indicam claramente a necessidade de vacinação, mesmo entre pessoas que tiveram Covid-19", afirma Niklas Bobrovitz, primeiro autor do estudo e pesquisador da Universidade de Toronto, no Canadá, em comunicado.

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Em seguida, no contexto da variante Ômicron, em que grande parte da população desenvolveu a chamada imunidade híbrida – combinação entre uma infecção e a vacinação –, os cientistas conseguiram identificar o quanto essa forma de proteção ainda é eficaz um ano após o último evento, seja ele a aplicação do imunizante ou o contágio.

Embora a proteção contra novas contaminações caia substancialmente, motivo para tantos casos de reinfecção serem relatados, a imunidade híbrida garantiu proteção alta mesmo a longo prazo contra hospitalizações e formas graves da doença, uma eficácia de 97,4% depois de 12 meses.

Por outro lado, entre aqueles que apenas foram contaminados pela Covid-19, mas não receberam as doses, essa mesma eficácia no prazo de um ano foi de 74,6%, consideravelmente mais baixa.

"A proteção contra hospitalização e doenças graves permaneceu acima de 95% por 12 meses para indivíduos com imunidade híbrida. Sabemos que mais variantes vão surgir. O estudo mostra que, para reduzir as ondas de infecção, as vacinações podem ser programadas para serem lançadas pouco antes dos períodos esperados de maior propagação da infecção, como o inverno", avalia o cientista da OMS Lorenzo Subissi.

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O benefício da vacinação foi observado também na proteção contra a infecção no geral, embora ela seja menor. Enquanto a eficácia da imunidade híbrida em impedir uma nova contaminação caiu de 69% nos três primeiros meses para 41,8% no acompanhamento de um ano, esse percentual foi significativamente mais baixo entre os que não se vacinaram – passando de 65,2% para 24,7% no mesmo período.

O próximo passo da equipe agora é avaliar o desempenho das vacinas bivalentes, que contam com uma parte da formulação adaptada especificamente para a variante Ômicron. Porém, destacam que, embora o cenário atual traga conforto em relação à proteção contra formas graves para os imunizados, ainda é preciso evitar a contaminação pelo coronavírus.

"Você nunca deve tentar pegar a Covid-19. O vírus é imprevisível em como afetará seu sistema. Para alguns, pode ser fatal ou mandá-lo para o hospital. Mesmo se você tiver uma infecção leve, corre o risco de desenvolver Covid longa (persistência dos sintomas após a infecção)”, diz Bobrovitz.