Covid: quando o descuido de um contamina o outro

Letycia Cardoso
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Depois de perder uma sobrinha de 34 anos para a Covid-19, em abril de 2020, a professora Elizabeth Gomes, de 59 anos, voltou a sofrer com a doença este ano. Por conta de uma única pessoa, ela, outra sobrinha, o marido e a filha foram também contaminados. Elizabeth concorda com o prefeito Eduardo Paes sobre a “irresponsabilidade” de pessoas que não se protegem e acabam propagando o novo coronavírus para dentro de casa.

— Fui jantar na casa da minha irmã. O namorado da minha sobrinha também estava lá, com Covid, e não avisou nada a ninguém mesmo sabendo. Consequência? Todos pegamos! O rapaz não foi prudente. Para ele fazer isso, não deve tomar cuidado nenhum na rua — sugere Elizabeth. Moradora do Méier, a professora lamenta a morte de tanta gente:

— Entre colegas de trabalho, mais de 20 pessoas já morreram de Covid. Toda hora chegava e-mail com nota de falecimento!

Marcos Vinícius Torres, de 19 anos, vendedor de açaí, no Méier, também reclama:

— Estamos há mais de um ano nessa correria e parece que o povo não se conscientiza. Vão para festas, aglomeram na praia e em locais fechados. Esses irresponsáveis só vão pensar diferente se acontecer algo ruim com alguém que eles gostem.

O aposentado Roberto Carvalho, de 58 anos, que não abre mão da máscara, acredita que poderíamos estar vivendo uma outra realidade atualmente.

— Se estivessem respeitando as medidas, os números de contaminados e mortos seriam bem menores —, disse Roberto.

Daniela Neves, de 27 anos, mora com seis pessoas. Pegou Covid, em abril, mas se isolou e não contaminou ninguém.

— Parece que a gente lida com criança para ter que ficar repetindo as mesmas coisas sempre: coloca a máscara! Usa álcool! Não vá a festas! Eu realmente não sei o que falar com essas pessoas — afirma.