Covid: subvariante BQ.1 da Ômicron já representa 18% das amostras no Brasil

A nova subvariante da Ômicron BQ.1 já representa 18% dos casos de Covid-19 no Brasil. Os dados são do projeto de sequenciamento genômico do novo coronavírus Genov, realizado pela rede de saúde integrada Dasa, obtidos com exclusividade pelo GLOBO. Entre as 515 amostras coletadas por todo o país durante o mês de outubro, a sublinhagem foi detectada em 93 delas. A expectativa é que em breve ela se torne dominante.

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— Se olharmos para trás, o tempo que decorreu entre o primeiro caso de uma nova subvariante detectado e ela virar predominante é de 2 a 3 meses. Então nós estimamos que a BQ.1 e suas derivadas, como a BQ.1.1, se tornem prevalentes em breve, pelo fim de novembro — afirma o virologista da Dasa, José Eduardo Levi.

Por enquanto, a prevalência nacional continua a ser da BA.5, que responde por 60% dos casos, uma queda em relação aos meses anteriores. Além da BA.5 e BQ.1, há ainda 10% de diagnósticos associados à BA.4; 7% à BF e outros causados por uma série de sublinhagens da Ômicron diferentes que representam 1% ou menos das amostras, como a BA.2.75 (1%) a BN (1%), a XBB (0,4%) e a CK (0,2%).

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— O surgimento das subvariantes é normal, é um processo de diversificação natural da variante dominante conforme ela vai circulando e vai se modificando. O que é novo com a Ômicron é que as próprias sublinhagens causam reinfecções e novas ondas, o que não acontecia até então. Nesse ano, por exemplo, teve uma alta no início, com a BA.1; no meio do ano, com a BA.4 e a BA.5, e agora, causada não só pela BQ.1, como pelas outras derivadas de BA.5. Mas é provável que a BQ.1 seja de fato mais transmissível e em breve chegue a 100% dos casos ou próximo disso — explica Levi.

A proporção crescente da BQ.1 é ainda mais acentuada quando observados apenas os sequenciamentos da capital paulista. Por lá, 29% das amostras são da subvariante, e a BA.5 já caiu para apenas 55%. O movimento é semelhante ao de outros países que já contam com mais de 50% das infecções pela nova linhagem, como Estados Unidos e França.

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A BQ.1 foi identificada pela primeira vez no Brasil em uma amostra coletada no dia 20 de outubro pela Fiocruz Amazônia, sequenciada apenas no início deste mês. Como o processo de análise genômica para descobrir a qual versão do vírus aquele caso pertence demora para ser concluído, isso indica que ela já estava circulando por um tempo antes de ser detectada.

O novo levantamento do Genov, que sequenciou amostras coletadas durante todo o mês de outubro de casos positivos nos mais de mil laboratórios da rede Dasa – a maior em medicina diagnóstica do país –, confirma que a linhagem já estava se disseminando de forma intensa antes de ser oficialmente identificada.

Simultaneamente, foi também durante outubro que o Brasil voltou a ver um crescimento da Covid-19, que estava em baixa desde o fim de julho. Segundo dados da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), o total de diagnósticos positivos nas unidades saltou 465% entre a primeira semana do mês passado e os primeiros sete dias de novembro.

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Esse crescimento continua em tendência de alta. De acordo com números da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), nos laboratórios houve um aumento de 407% nos casos detectados apenas da primeira para a segunda semana de novembro.

Levi destaca que a melhor estratégia frente ao aumento continua a ser colocar o esquema vacinal em dia. Hoje, são indicadas duas doses para crianças de 3 a 11 anos; três doses para aqueles entre 12 e 39 anos e quatro doses para adultos com mais de 40 anos. No caso dos acima de 18 anos que também são imunossuprimidos, há a orientação para uma aplicação extra.

— As vacinas de primeira geração continuam sendo eficazes para a prevenção de casos graves e da mortalidade. Mas, como as variantes estão circulando, a eficácia para prevenir infecção vai diminuindo cada vez mais, porque o vírus vai se adaptando para continuar a circular no meio em que ele está. Isso leva a esse escape tanto da resposta imune pelas vacinas, como da resposta gerada por infecções prévias. As novas vacinas bivalentes, porém, que incluem uma parte da Ômicron, são mais eficazes que as originais frente a essas novas subvariantes que são todas derivadas da Ômicron — diz o virologista.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) marcou uma reunião para esta terça-feira, no fim da tarde, em que deliberará sobre o aval para as formulações novas das vacinas desenvolvidas pela Pfizer, que estão em análise pelo órgão desde setembro.