Covid: vacina em spray nasal brasileira recebe aporte milionário e pode entrar em breve em testes clínicos

A vacina em spray nasal para a Covid-19 em desenvolvimento pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (InCor/USP) teve um aporte de R$ 30 milhões liberado pelo Ministério da Saúde. Com a verba, o instituto conseguirá dar início à produção inicial de doses que serão utilizadas nos testes clínicos em humanos.

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“A liberação desse recurso significa um impulso muito grande no desenvolvimento dessa vacina nacional. Vamos agora avançar com o projeto e para os testes clínicos em voluntários”, afirma Jorge Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do InCor e professor titular de Imunologia Clínica e Alergia da FMUSP, responsável pela vacina, em comunicado.

O aval para os estudos com voluntários já foi solicitado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ainda no final de 2021. No mês passado, os pesquisadores afirmaram que o pedido encontra-se na fase de apresentar documentação para comprovar que a produção das unidades que serão utilizadas foram realizadas seguindo os critérios sanitários da agência.

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Para isso, os pesquisadores estão em tratativas com fabricantes internacionais de vacinas que devem seguir as normas de Boas Práticas de Fabricação (BPF) estipuladas pela Anvisa. A busca por empresas de fora ocorre pela indústria nacional não produzir a tecnologia utilizada no imunizante – o que tem dificultado o andamento dos testes clínicos.

Desenvolvido em parceria da Faculdade de Medicina (FMUSP) com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o Instituto de Ciências Biomédicas da USP e a Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, a nova vacina utiliza biomoléculas sintéticas derivadas de proteínas que compõem o Sars-CoV-2, vírus da Covid-19, em vez da própria proteína S do coronavírus, adotada pela maioria dos imunizantes atuais.

“As pesquisas experimentais realizadas até agora mostram que os animais imunizados apresentam altos níveis de anticorpos IgA e IgG e também uma resposta celular protetora. Neste momento da pandemia e conforme a população brasileira se vacinou de forma expressiva contra a covid-19, a proposta desta vacina é ser um imunizante de reforço capaz de barrar a infecção e disseminação do vírus pelas vias áreas”, explica Kalil.

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Além disso, é uma das únicas vacinas que utilizam o meio nasal para induzir a resposta imunológica. Versões semelhantes desenvolvidas pelas farmacêuticas CanSino e Bharat Biotech já foram aprovadas na China e na Índia, respectivamente – com a fórmula chinesa atualmente em análise na Anvisa. Porém, são incomuns nos demais países.

Kalil explica que a administração pelas vias aéreas superiores busca induzir uma melhor imunidade local contra o vírus da Covid-19, aumentando assim a capacidade de barrar a entrada do vírus no corpo. Para isso, os cientistas brasileiros também desenvolveram nanopartículas em que a proteína vacinal é inserida, capazes de atravessar a barreira de cílios e muco presentes no nariz e chegar às células.

“A nossa proteína foi testada exaustivamente em modelos animais. Paralelamente, após o teste de mais de 50 formulações, definimos a melhor nanotecnologia que carregasse nosso antígeno pelos cílios, atravessasse a barreira de muco e se fixasse na mucosa nasal induzindo forte resposta imune celular e mucosa, local e sistêmica. Esta formulação foi testada no como indutora de defesa em camundongos ACE-2 e mostrou-se protetiva, confirmando a tese de conceito”, explicou Kalil em comunicado, em dezembro.