'CPF já cadastrado': candidatos acusam erro em ferramenta para pedir auxílio emergencial

Ana Clara Veloso
Tela mostra erro

Alguns registros no Cadastro de Pessoa Física (CPF) vêm sendo recusados pela Caixa Econômica Federal no site e no aplicativo criados para candidatura ao auxílio emergencial do governo federal, oferecido frente ao coronavírus. Segundo denúncias recebidas pelo EXTRA, a mensagem de que os CPFs já teriam sido utilizados aparecem tanto para quem tenta pela primeira vez se inscrever para receber o benefício quanto para quem já se candidatou mas recebeu a indicação do próprio sistema de que deveria repetir o procedimento. Este último é o caso de Luciana Dutra, de 47 anos, microempreendedora do ramo de eventos e mãe de duas crianças, de 7 e 14 anos, que não recebem pensão do pai.

— Quando eu fiz o cadastro pela primeira vez, no dia 7, não tinha os CPsF das minhas filhas e não sabia que ia precisar. O pedido ficou em análise por bastante tempo e então, no dia 24, apareceu uma mensagem dizendo que eu deveria refazer o cadastro para colocar os CPFs delas. Fiz os CPFs pelos Correios e incluí os dados no aplicativo, recebendo o informe de que haviam sido recadastradas com sucesso. Deveria então aguardar cinco dias para análise. Três dias depois, quando resolvi dar uma olhada no andamento, apareceu novamente a mensagem pedindo para recadastrar. Refiz todo o procedimento, mas dessa vez, quando fui colocar os CPFs das crianças, o informe era de que elas já estavam inclusas em outro grupo familiar — conta Luciana.

A empreendedora lembra que tentou repetir o procedimento outras vezes e, lendo sempre o mesmo aviso, decidiu consultar o andamento do pedido já feito pelo seu CPF.

— Apareceu que não havia nenhum cadastro no meu CPF. Ou seja, eliminaram o primeiro cadastro. Comecei de novo e o cadastro somente seguia adiante se eu não colocasse os CPFs das crianças e não marcasse a opção "chefe de família". Pelo contrário, tive que marcar a declaração de que não sou mãe solteira e chefe de família. Pra não ficar sem receber nada, eu fiz dessa vez o procedimento até o final, sem incluir minhas filhas. Ou seja, precisei abrir mão do direito de receber R$ 1.200 previstos na lei, para conseguir receber R$600. Creio que o objetivo seja esse — avalia ela.

Por conta das proibições de aglomeração, as festas no estado do Rio foram canceladas. Sem trabalho, Luciana não tem renda há mais de um mês. E tem contado com a ajuda de amigos e parentes para sustentar as duas filhas, que moram com ela em Teresópolis, na Região Serrana do estado do Rio.

O tradutor e revisor de legendas Carlos Eduardo da Silva, de 33 anos, encontrou problema semelhante na ferramenta da Caixa Econômica Federal. Mas a mensagem de que seu CPF já havia sido cadastrado apareceu ainda em sua primeira tentativa.

— Eu baixei o aplicativo hoje, não tinha cadastrado nada antes, mas apareceu essa mensagem. Então eu liguei para o 111 (serviço de atendimento ao cliente), e quando digitei o CPF, ouvi uma mensagem de que eu tinha sido selecionado para receber o benefício. Como assim? Só pode ser uma fraude. Alguém usou meu CPF e cadastrou seu telefone, seus dados — supõe o morador de Bonsucesso: — Não consigo também consultar no aplicativo o registro do meu CPF, pois não tenho uma senha. Eu não cheguei a cadastrar meu celular para receber o código que pedem, pois fui impedido antes dessa etapa.

Nas redes sociais, muitas outras pessoas reclamam da mesma situação. Procurada, a Caixa Econômica Federal não enviou posicionamento sobre o problema até o fechamento desta edição.

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