CPI antecipa para esta quinta depoimento de vendedor de vacina que denunciou pedido de propina do governo Bolsonaro

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BRASÍLIA, DF, 30.06.2021: CPI-COVID-DF - O empresário Carlos Wizard, do gabinete paralelo de Bolsonaro, durante depoimento à CPI da Covid, em Brasília, nesta quarta. Com respaldo do STF, o empresário permaneceu em silencio. O senador Omar Aziz (PSD-AM) preside a comissão e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) é o relator. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, 30.06.2021: CPI-COVID-DF - O empresário Carlos Wizard, do gabinete paralelo de Bolsonaro, durante depoimento à CPI da Covid, em Brasília, nesta quarta. Com respaldo do STF, o empresário permaneceu em silencio. O senador Omar Aziz (PSD-AM) preside a comissão e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) é o relator. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A CPI da Covid antecipou para esta quinta-feira (1º) o depoimento do representante de uma vendedora de vacinas que afirmou em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo que recebeu pedido de propina de US$ 1 por dose em troca de fechar contrato com o Ministério da Saúde.

Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply, tem previsão de chegar a Brasília na manhã desta quinta, quando seguirá ao Senado para ser ouvido pelo senadores.

Dominguetti disse em entrevista exclusiva à Folha de S.Paulo na terça-feira (29) que o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, cobrou a propina em um jantar no restaurante Vasto, no Brasília Shopping, região central da capital federal, no dia 25 de fevereiro.

Roberto Dias foi indicado ao cargo pelo líder do governo Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). Sua nomeação ocorreu em 8 de janeiro de 2019, na gestão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta. A Folha de S.Paulo tentou, sem sucesso, contato com Dias na noite de terça-feira. Ele não atendeu as ligações.

A empresa Davati buscou a pasta para negociar 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca com uma proposta feita de US$ 3,5 por cada (depois disso passou a US$ 15,5). "O caminho do que aconteceu nesses bastidores com o Roberto Dias foi uma coisa muito tenebrosa, muito asquerosa", disse Dominguetti.

A CPI ouviria nesta quinta o empresário Francisco Emerson Maximiano, sócio-administrador da empresa Precisa Medicamentos, que fechou contrato com o governo para fornecer doses da vacina indiana Covaxin, mas o depoimento foi adiado e não tem nova data para ocorrer.

O grupo majoritário da CPI avaliou que a sessão seria contraproducente porque Maximiano conseguiu um habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal) e poderia ficar calado. A comissão vai recorrer.

A suspeita sobre a compra de vacinas veio à tona em torno da compra da vacina indiana Covaxin, quando a Folha de S.Paulo revelou no último dia 18 o teor do depoimento sigiloso do servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda ao Ministério Público Federal, que relatou pressão "atípica" para liberar a importação da Covaxin.

Desde então, o caso virou prioridade da CPI da Covid no Senado. A comissão suspeita do contrato para a aquisição da imunização, por ter sido fechado em tempo recorde, em um momento em que o imunizante ainda não tinha tido todos os dados divulgados, e prever o maior valor por dose, em torno de R$ 80 (ou US$ 15 a dose).

O irmão do servidor, deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), disse à comissão que levou as denúncias de irregularidades ao presidente Jair Bolsonaro, ocasião em que teria sido mencionada pelo chefe do Executivo que seria um esquema de Ricardo Barros.

Nesta quarta, Luis Miranda reuniu-se com senadores e prometeu entregar documentos que comprovam as denúncias que apresentou.

O deputado será ouvido novamente na semana que vem em reunião aberta da CPI. Os senadores querem que ele explique declarações que deu à revista Crusoé de que recebeu oferta de propina para facilitar a compra de vacinas.

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