CPI da Covid: documentos apontam ao menos 24 reuniões do suposto 'ministério paralelo' da Saúde de Bolsonaro

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Bolsonaro ao lado de Osmar Terra, um dos apontados como integrantes do suposto 'gabinete paralelo' da Saúde - Foto: REUTERS/Adriano Machado
Bolsonaro ao lado de Osmar Terra, um dos apontados como integrantes do suposto 'gabinete paralelo' da Saúde - Foto: REUTERS/Adriano Machado
  • Documentos apontam reuniões de gabinete paralelo da Saúde do governo Bolsonaro

  • Teriam sido ao menos 24 reuniões que aconteceram no Planalto ou no Alvorada

  • Bolsonaro só não teria participado de seis encontros, de acordo com documentos

Pessoas apontadas como integrantes do "ministério paralelo" da Saúde, grupo de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro, teriam participado de ao menos 24 reuniões, no Palácio do Planalto ou no Alvorada. O objetivo dos encontros seria para definir os rumos da política do governo no combate à pandemia do novo coronavírus.

A informação, publicada originalmente na Folha de S.Paulo, consta de documentos da Casa Civil que foram entregues à CPI da Covid.

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O presidente Bolsonaro, segundo consta nos documentos, só não participou de seis reuniões do total. Entre os nomes citados estão os dos filhos do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o senador Flávio Bolsonaro; além do deputado federal Osmar Terra (MDB-RS); o assessor especial da Presidência Tercio Arnaud (integrante, também, do chamado "gabinete do ódio"); o ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten; e a médica Nise Yamaguchi.

Carlos e Flávio Bolsonaro teriam participado de ao menos cinco reuniões, três delas por videoconferência, para tratar do tema "governadores e pedidos de apoio para enfrentamento da crise".

Apesar de serem apontados como integrantes do "ministério paralelo", Filipe Martins, assessor internacional da Presidência; Arthur Weintraub, ex-assessor; e o empresário Carlos Wizard não são citados nos documentos.

Bolsonaro volta a atacar CPI

Pressionado por depoimentos que revelam omissão do governo federal na pandemia, Bolsonaro tem realizado constantes ataques à CPI - Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images
Pressionado por depoimentos que revelam omissão do governo federal na pandemia, Bolsonaro tem realizado constantes ataques à CPI - Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images

Após mais um depoimento desfavorável à gestão federal no combate ao coronavírus no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro reagiu à CPI da Covid nesta quinta-feira (27) com xingamento, ironias e provocações a integrantes da comissão.

Bolsonaro está em São Gabriel da Cachoeira (AM) e começou a edição de sua live semanal dizendo que indígenas usaram um chá de raízes para evitar mortes provocadas pela Covid. Como o tratamento não tem comprovação científica, o presidente comparou a iniciativa ao consumo de hidroxicloroquina, usada na região para a malária, o que é previsto na bula do medicamento.

"Poderia a nossa querida CPI do Senado, que tem lá como presidente o senador Omar Aziz, eu sei que você não pode convocar, porque os índios não se enquadram nesta questão de convocação, são protegidos por lei, mas poderiam convidar para ouvi-los e levar, quem sabe aí, o chá de carapanaúba, saracura e jambu lá nos balaios", afirmou Bolsonaro.

Possivelmente por receio de ter sua transmissão interrompida pelas redes por divulgar tratamento sem eficácia, Bolsonaro, mais uma vez, não citou o nome do medicamento, referindo-se a ele, por exemplo, como "aquilo que eu mostrei à ema".

"Não mata, pessoal. Não mata. Assim como esse chá aqui não mata", afirmou Bolsonaro após indagar militares presentes sobre o consumo da hidroxicloroquina para tratamento de malária.

***Com informações do Globo

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