CPI da Covid-19 reúne 200 falas negacionistas de Bolsonaro

Redação Notícias
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  • Mais de 200 falas negacionistas do presidente Jair Bolsonaro foram compiladas pela CPI da Covid-19

  • Discursos contra o isolamento social e a favor de medicamentos ineficazes contra o coronavírus serão utilizados na investigação

  • Senadores querem entender se Bolsonaro decidiu espalhar o vírus para provocar imunidade de rebanho

Auxiliares do relator da CPI da Covid-19, senador Renan Calheiros (MDB-AL), levantou mais de 200 discursos negacionistas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), como críticas ao isolamento social, divulgação de medicamentos ineficazes contra a doença e falas comparando o coronavírus a uma "gripezinha".

O compilado, obtido pelo jornal Folha de S.Paulo, tem como objetivo usar declarações e ações para eventualmente imputar crimes ao presidente. A comissão vai investigar, por exemplo, as medidas tomadas para promover o isolamento social e para a aquisição e distribuição de vacinas e insumos.

A primeira declaração de Bolsonaro sobre a pandemia identificada no levantamento da CPI tem data de 26 de janeiro de 2020. A OMS (Organização Mundial de Saúde) ainda não havia decretado a pandemia, mas já alertava os países para os perigos da disseminação do vírus.

"Estamos preocupados, obviamente, mas não é uma situação alarmante", disse o presidente naquele dia.

Senadores querem entender se Bolsonaro deliberadamente agiu para que o vírus circulasse no país na tentativa de provocar a imunidade de rebanho. Alessandro Vieira (Cidadania-SE), membro suplente da CPI, confirma que a retórica do presidente vai ser um dos alvos da investigação.

"É preciso materializar todas as condutas referentes à atuação do governo federal em face da pandemia, independente do autor da conduta", afirmou.

O professor da Faculdade de Direito da USP Rafael Mafei afirma que Bolsonaro pode ser responsabilizado de duas formas, sendo uma delas diretamente ligada ao seu comportamento. Em primeiro lugar, afirma que ele pode ser acusado de atentar contra o direito à saúde dos brasileiros, o que configuraria um crime de responsabilidade.

"O outro crime é a quebra de decoro: o presidente ultrapassa os limites que deveria guardar em seu comportamento em suas palavras. Ele tem muito poder e capacidade de influenciar as pessoas, então, ao falar que foi salvo pela cloroquina, ele pode estar cometendo crime", explicou o professor ao jornal Folha de S.Paulo.

"A retórica pessoal do presidente é nitidamente a quebra de decoro", completou o docente. Ambos os crimes citados são de responsabilidade e podem ensejar pedidos de impeachment.