CPI da Covid avalia medidas após dossiê apontar mortes em estudo sobre cloroquina

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BRASÍLIA - As denúncias que recaem sobre o plano de saúde Prevent Senior de ocultar mortes de pacientes com Covid que participaram de estudos com cloroquina repercutiram entre parlamentares da CPI da Covid. Com as denúncias apresentadas pela "GloboNews" nesta quinta-feira, senadores avaliaram durante a sessão medidas a serem adotadas. Humberto Costa (PT-PE) sugeriu que sejam confrontados os dados dos documentos com as irregularidades com o depoimento do executivo da operadora, Pedro Benedito Batista Júnior. O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM) propôs que seja chamado a depor pelo menos um dos médicos que enviaram à comissão "mensagens e gravações fortíssimas", relatando as ameaças.

O depoimento de Batista Júnior estava previsto para ocorrer nesta quinta-feira, no entanto, o executivo faltou a oitiva alegando que foi intimado em cima da hora e não conseguiria comparecer. Aziz remarcou o depoimento para a quarta da próxima semana.

Após a informação do dossiê, Omar comentou rapidamente o episódio:

— Hoje cedo eu assisti a uma reportagem na GloboNews que detalha alguns fatos ocorridos dentro da Prevent Senior, dentro do hospital. E realmente é chocante aquilo, esse depoimento.

O senador submeteu à aprovação requerimento de pedido de informações ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo, sobre denúncias de ameaças desse tipo. Humberto Costa lembrou que os documentos que estão circulando são públicos e não foram fruto da quebra de sigilo. Renan Calheiros (MDB-AL), falando de forma genérica, disse que as informações recebidas sobre a Prevent Senior são uma "coisa pavorosa" e defendeu uma punição exemplar.

O senador Otto Alencar (PSD-BA) lembrou que, no começo da pandemia, o então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta criticou a Prevent Senior.

— Mandetta, naquela época, ainda lá atrás, no início de 2020, estava denunciando a subnotificação dos casos de covid-19 nessa entidade hospitalar. Portanto, nós temos aqui as informações corretas com as gravações, os zaps, as mensagens e outras tantas coisas que precisam ser realmente apuradas. E nós esperávamos que o doutor Pedro Batista Júnior [executivo da Prevent Senior] pudesse estar aqui hoje para enfrentar essas denúncias todas, que, na minha opinião, são muito graves — disse Otto Alencar.

— Nós temos uma situação gravíssima. Os dados, os prints de conversas, os áudios, os relatos de médicos são aterradores, uma coisa fora do normal, um desrespeito à vida, um descumprimento da obrigação ética e novamente uma clara conexão com uma estratégia de contaminação de rebanho da população. Utilizaram um hospital e um plano de saúde como campo de teste de estratégias estapafúrdias, enlouquecidas, que não tinham nenhum respaldo científico e tinham conexão direta com o gabinete da Presidência da República, sob o ponto de vista de divulgação desses dados falsos para validar teorias, para insistir, na cabeça das pessoas, que era possível fazer um tratamento preventivo precoce, que, segundo relatos, até hoje essa instituição promove — disse Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

A CPI quer investigar uma possível pressão da empresa para que os médicos conveniados prescrevessem medicamentos do chamado tratamento precoce para a covid-19, sem eficácia e segurança comprovada. Também houve denúncias de pacientes da operadora, que teriam sido assediados para aceitar o tratamento precoce.

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