CPI da Covid: Barroso prorroga por 60 dias investigação que tem Bolsonaro como alvo

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou por mais 60 dias o prazo de uma investigação preliminar aberta para apurar se o presidente Jair Bolsonaro e outras pessoas incitaram a população a desrespeitar medidas sanitárias durante a pandemia. A apuração tem origem nos trabalhos da CPI da Covid, que funcionou no Senado em 2021.

O pedido de mais 60 dias foi feito pela Polícia Federal (PF), para poder ter acesso e analisar o material produzido pela CPI. Em parecer enviado ao STF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou com a prorrogação.

Outras 23 pessoas, além de Bolsonaro, são alvos nesse caso, entre elas três de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RS), o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro. Também estão na lista vários aliados, como o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), o ex-ministro Onyx Lorenzoni e Ernesto Araújo, e o empresário Luciano Hang.

"Defiro o pedido de prorrogação do prazo para continuidade das investigações, por mais 60 dias, nos termos formulados pela Procuradoria-Geral da República. Com relação ao acesso os arquivos produzidos pela CPI, verifico que tais arquivos já foram compartilhados neste feito pelo Senado em atenção a requerimento da Procuradoria-Geral da República", escreveu Barroso.

Na segunda-feira da semana passada, a vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, se manifestou em oito investigações abertas a partir da CPI da Covid. Em seis dela, incluindo cinco que tinham Bolsonaro e outras pessoas como alvos, pediu o arquivamento. Em outra, pediu o arquivamento parcial, o que beneficia Ricardo Barros. E em uma pediu a prorrogação, no que foi atendida agora por Barroso.

Um dos pedidos de arquivamento já foi atendido. O ministro Ricardo Lewandowski encerrou a investigação preliminar que apurava a conduta do ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, diante de suspeitas de irregularidades na compra de vacina contra a Covid-19. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid do Senado acusou Rosário de prevaricação por não ter levado adiante uma denúncia que teria chegado ao órgão. No STF, é praxe os ministros atenderem pedidos de arquivamentos feitos pela PGR.

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