CPI da Covid: Bolsonaro fala de improviso, algumas coisas precisam ser corrigidas depois, diz Pazuello

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Ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, no segundo dia de depoimento na CPI da Covid no Senado (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
Ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, no segundo dia de depoimento na CPI da Covid no Senado (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
  • CPI da Covid do Senado retoma depoimento de Eduardo Pazuello nesta quinta-feira (20)

  • No depoimento, ele disse que "presidente fala de pronto, depois precisam ser corrigidas”

  • Ex-ministro da Saúde negou ordem de Jair Bolsonaro para não comprar Coronavac

Em seu segundo dia de depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado nesta quinta-feira (20), o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello negou que o presidente Jair Bolsonaro tenha dado ordens para não comprar a Coronavac, vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, do governo do estado de São Paulo.

AO VIVO: Assista ao depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello

Pazuello foi questionado a respeito do vídeo publicado nas redes sociais, em outubro do ano passado, quando Bolsonaro declarou publicamente que mandou cancelar protocolo que havia sido assinado entre o Butantan e o Ministério da Saúde para a compra de 46 milhões de doses da Coronavac.

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Pressionado pelo senador Fabiano Cantarato (Rede-AP), sobre a fala do vídeo, de que "um manda, outro obedece", o ex-ministro afirmou que "presidente fala de pronto, depois precisam ser corrigidas”.

"Nós sabemos como é o nosso presidente da República. Ele fala de improviso, fala de pronto, essa é a verdade. Não podemos esconder o sol com a peneira. Esse é o presidente da República. Ele fala o que pensa e algumas coisas precisam ser corrigidas depois, algumas coisas precisam ser conversadas", diz Pazuello sobre declarações de Bolsonaro em relação à CoronaVac.

Anteriormente, o ex-ministro justificou que não comprou a Coronavac porque a legislação brasileira não permitia.

Crise no Amazonas

Eduardo Pazuello afirmou que o governo chegou a discutir uma intervenção no Amazonas durante a crise de saúde do estado devido à pandemia, com a presença do presidente Jair Bolsonaro, mas desistiu após ouvir o governador Wilson Lima (PSC).

A cidade registrou o colapso do sistema de saúde, com falta de oxigênio hospitalar e filas nas UTIs.

Na retomada do depoimento, o ex-ministro da Saúde afirmou que a responsabilidade pela falta de oxigênio hospitalar em Manaus foi da empresa fornecedora, White Martins, e da Secretaria de Saúde do estado.

"Somos abastecidos pelas informações das secretarias estaduais. Fica claro para mim que a preocupação com o acompanhamento do oxigênio não era foco da secretaria de Saúde do AM. No próprio plano de contingência não apresentava nenhuma medida quanto a oxigênio. A empresa White Martins já vinha consumindo a sua reserva estratégica e não fez sua posição de uma forma clara desde o início. Se a Secretaria de Saúde tivesse acompanhado de perto, teria descoberto que estava sendo consumido uma reserva estratégica".

Pazuello disse que quando chegou junto com a equipe do Ministério da Saúde, no início de janeiro, começou a ter conhecimento do problema. Na avaliação dele, a pasta foi “proativa” a partir do momento que soube da falta de oxigênio.

"Até no momento que o Ministério da Saúde, o gabinete do ministro, com seus secretários chegaram a Manaus, e nós passamos a dividir ali naquele momento a compreensão do problema. No dia 10 a noite e no dia 11 começamos a agir acionando tudo o que tinha que acionar. Eu volto a dizer para o senhor, da nossa parte nós fomos muito proativos no momento em que tomamos conhecimento", disse Pazuello.

Recomendação pela Cloroquina

Pazuello também alertou que teria ocorrido um “roubo” que levou à divulgação indevida do aplicativo de receitava cloroquina até para bebês, apesar de ter sido divulgado por canais oficiais do governo.

O TrateCOV, no entanto, estava no ar no site do próprio Ministério da Saúde. O site informava que a plataforma era um "ambiente de simulação" e que deveria ser utilizado por médicos e enfermeiros. Apesar da recomendação, qualquer um poderia acessar e preencher o formulário.

A sessão registrou ainda bate-boca, após o senador governista Marcos Rogério (DEM-RO) exibir um vídeo na tentativa de atribuir a governadores a indicação de cloroquina no tratamento da covid-19.

O parlamentar mostrou vídeo dos governadores João Doria (PSDB-SP), Wellington Dias (PT-PI), Flávio Dino (PCdoMA), Renan Filho (MDB-AL) e Helder Barbalho (MDB-PA), além do secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, no começo da pandemia falando sobre a distribuição de cloroquina contra a Covid-19. Todos os vídeos são de abril de 2020, antes de a Organização Mundial da Saúde (OMS) desaconselhar o uso de cloroquina.

Em seguida, o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que a “ciência evolui”.

"Isso aí foi em março de 2020. Não foram só os governadores, o especialista em infectologia David Uip também, mas pergunte para ele hoje e ele vai dizer que não é".

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