CPI da Covid convoca Facebook, Twitter e Google para explicar posts de Bolsonaro

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A CPI da Covid aprovou nesta quarta-feira (23) requerimento para convocar representantes do Facebook e Twitter e do Google para explicar posts do presidente Jair Bolsonaro.

Os senadores querem entender por que o chefe do Executivo brasileiro ainda não foi banido dessas redes sociais ou teve o conteúdo retirado do ar no caso de postagens que contrariam as medidas sanitárias de enfrentamento à pandemia.

O requerimento de convocação foi apresentado na sexta-feira passada (18), um dia depois de Bolsonaro questionar numa live nas redes sociais medidas de combate à pandemia e insinuar que a contaminação em massa pelo coronavírus poderia ser "até mais eficaz" que a própria vacinação contra a Covid-19.

"Eu estou vacinado entre aspas. Todos que contraíram o vírus estão vacinados, até de forma mais eficaz que a própria vacina, porque você pegou vírus para valer. Quem pegou o vírus está imunizado, não se discute", afirmou Bolsonaro em live, em declaração que contraria a ciência e medidas propagadas de enfrentamento ao vírus.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do requerimento, afirmou querer explicações, argumentando que o ex-presidente americano Donald Trump "foi banido por muito menos", segundo o parlamentar.

Em janeiro deste ano, Trump foi banido do Twitter e suspenso por tempo indeterminado do Facebook e do YouTube por conclamar apoiadores a irem ao Capitólio questionar o resultado das eleições.

Com o objetivo de evitar sanções e manter a influência de Bolsonaro e aliados nas redes, o governo federal prepara um decreto para limitar a exclusão de conteúdos das redes sociais e engessar decisões de empresas como Youtube, Twitter, Facebook e Instagram.

O texto impede que as companhias retirem informações do ar somente por julgarem que as próprias políticas foram violadas pelos usuários.

Publicações de Bolsonaro e de seus apoiadores foram excluídas das redes sociais durante a pandemia da Covid-19 por desinformar sobre a doença. Em abril deste ano, o Twitter colocou um aviso de publicação "enganosa" em crítica do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) ao lockdown.

Pela proposta em análise no governo, a exclusão de contas das redes sociais também dependeria de decisão judicial. Neste caso, há brechas, por exemplo, para apagar perfis falsos ou inadimplentes.

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