CPI da Covid convoca reverendo que negociou compra de vacinas em nome do governo

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Luiz Paulo Dominghetti e reverendo Amilton Gomes de Paula em reunião no Ministério da Saúde (Foto: Reprodução/ redes sociais)
Luiz Paulo Dominghetti e reverendo Amilton Gomes de Paula em reunião no Ministério da Saúde (Foto: Reprodução/ redes sociais)
  • CPI da Covid no Senado aprova convocação de reverendo que que negociou compra de vacinas em nome do governo

  • Amilton Gomes de Paula teve reuniões no Ministério da Saúde para tratar da aquisição de 400 milhões de doses da AstraZeneca

  • Servidor do Ministério da Saúde que apontou problemas na contratação da Covaxin também será ouvido

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado aprovou nesta quarta-feira (7) a convocação do reverendo Amilton Gomes de Paula, fundador da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), organização evangélica com sede no DF.

De acordo com emails obtidos pela comissão, o diretor de Imunização do Ministério da Saúde, Lauricio Monteiro Cruz, deu aval para que o reverendo e a entidade presidida por ele negociassem 400 milhões de doses do imunizante com a empresa americana Davati.

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O reverendo chega a tratar sobre valores do imunizante e pede a atualização do preço da AstraZeneca para US$ 17,50 por dose - valor que representa três vezes mais do que os US$ 5,25 que o Ministério da Saúde pagou em cada dose da vacina comprada em janeiro, de um laboratório na Índia.

O policial militar Luiz Paulo Dominghetti, que se apresenta como representante da empresa Davati, citou o nome do reverendo durante seu depoimento à CPI da Covid no último dia 1º.

Dominghetti afirma ter recebido uma cobrança de propina por dose de vacina durante as negociações com o governo brasileiro.

Ele disse também que participou de duas reuniões no Ministério da Saúde - ambas viabilizadas pelo reverendo. Os encontros na pasta foram com Lauricio Cruz, com o tenente-coronel Marcelo Blanco, ex-assessor do Departamento de Logística, e com o coronel Elcio Franco, o então secretário-executivo da pasta.

O servidor do Ministério da Saúde William Amorim Santana e Andrea Lima, CEO da empresa VTCLog.

O nome de William surgiu durante depoimento da também servidora Regina Célia Oliveira, fiscal do contrato da Covaxin, que apontou que ele teria encaminhado emails com o pedido de autorização da vacina indiana. Os senadores avaliaram que o servidor foi quem efetivamente ‘fiscalizou’ o contrato.

“Gostaria de solicitar que a comissão pudesse chamar o verdadeiro fiscal do contrato, o verdadeiro fiscal do contrato, que denunciou. É o William, que é funcionário, cujo chefe é o Luis Ricardo Miranda. O William denunciou para a Precisa, que mudou as invoices depois da denúncia feita por um simples servidor de carreira do Ministério da Saúde”, afirmou a senadora Simone Tebet (MDB-MS).

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