CPI da Covid: Covaxin, Precisa, VTCLog e hospitais federais serão os destaques na segunda temporada, avalia senador

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  • CPI da Pandemia retoma os trabalhos nesta semana e já tem depoimentos marcados

  • Senador Humberto Costa avalia que os temas relacionados a quatro apurações terão destaque: Covaxin, Precisa Medicamentos, VTCLog e hospitais federais

  • Em entrevista ao Yahoo! Notícias, o parlamentar ressaltou que há pontos graves, já descobertos pela CPI

A segunda temporada da CPI da Covid está prestes a começar. Nesta terça-feira (3), a Comissão Parlamentar de Inquérito retoma os trabalhos e, para o senador Humberto Costa (PT-PE), os novos alvos já estão definidos: o caso Covaxin e a Precisa Medicamentos, a VTCLog e os hospitais federais.

“Nós já vamos ter os primeiros depoimentos, envolvendo algumas pessoas que são chaves para nós conseguirmos desvendar alguns esquemas que existem hoje no Ministério da Saúde. Entre elas, o presidente da Precisa, que é, sem dúvidas, uma empresa que cumpre um papel, digamos, deletério nessa relação com o governo. Chegando ao ponto de ser desautorizada pela Bharat Biotech para ser a sua representante no Brasil”, afirmou o senador em entrevista ao Yahoo! Notícias.

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O caso Covaxin, cujo contrato foi cancelado oficialmente pelo governo no fim de julho, é uma das principais linhas a serem investigadas pela CPI. Documentos falsificados pela Precisa Medicamentos levaram a Bharat Biotech a romper com a empresa brasileira e, com isso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária barrou a importação e, em seguida, o Ministério da Saúde suspendeu o contrato.

Foi também o caso Covaxin que levou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a ser investigado pelo crime de prevaricação. Ele teria sido alertado sobre possíveis irregularidades no contrato pelos irmãos Miranda, mas não fez o necessário para que o assunto fosse investigado.

Caso VTCLog, Davati e hospitais federais

O presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz, e o relator, senador Renan Calheiros (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
O presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz, e o relator, senador Renan Calheiros (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Outras duas frentes que devem ser investigadas pela CPI, segundo Humberto Costa, são a empresa VTCLog e os hospitais federais.

“Vamos também enveredar nas denúncias que estão surgindo dessa empresa VTCLog, que tem tudo para ser um grande escândalo de favorecimento de empresas, de participação de parlamentares no recebimento de benefícios ilegais por parte dessas empresas, por exercerem influência para beneficiá-las."

A empresa é investigada por possíveis irregularidades em contratos com o Ministério da Saúde. A suspeita é de que haja um esquema de pagamento de propina para agentes públicos e também para parlamentares por parte da empresa.

Outra vertente que pode ser investigada pela CPI é a dos hospitais federais, denunciada pelo ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel. A suspeita é de que haja o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) – filho do presidente e agora membro da CPI, no lugar do novo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. “Abriu esse cenário novo, que é o cenário dos hospitais federais no Rio de Janeiro que, a julgar pelas primeiras avaliações que nós estamos fazendo, pode ser um espaço de cometimento de inúmeros crimes importantes.”

<p>O senador Humberto Costa (PT-PE) falou com exclusividade ao Yahoo Notícias</p>
O senador Humberto Costa (PT-PE) falou com exclusividade ao Yahoo! Notícias (Foto: Reprodução)

Ainda há o caso Davati, lembrado por Humberto Costa. “Vamos ouvir também o reverendo Amilton para nós sabermos que coisa estranha é essa. No Brasil tem reverendo vendendo vacina, militar pedindo propina, é uma situação realmente difícil de a gente analisar, o que é esse governo Bolsonaro. E essas pessoas têm livre acesso ao ministro da Saúde, ao vice-ministro, ao presidente da República. Queremos saber disso também.”

O reverendo teria sido o responsável por abrir caminhos dentro do Ministério da Saúde para que a Davati negociasse a venda de supostas vacinas AstraZeneca ao governo federal.

O que já foi descoberto pela CPI

Ao mesmo tempo, o petista acredita que há pontos graves, já descobertos pela CPI. Para o senador, membro do G7, grupo de oposicionistas do governo, o mais contundente até o momento foi a omissão de Bolsonaro e do Ministério da Saúde na compra de vacinas.

“No caso do Brasil, o presidente da República não só procurou descredibilizar o papel das vacinas como provocou um debate ideológico sobre algo que era a luz no fim do túnel para o enfrentamento à doença”, afirma.

O senador lembra de depoimentos de representantes de farmacêuticas, como da Pfizer e do Butantan. “Quando a gente ouve a fala do presidente da Pfizer que, por várias oportunidades fez ofertas de venda de vacinas ao governo brasileiro, quando nós ouvimos o presidente do Instituto Butantan com a afirmação de que poderia ter entregue ao Brasil 100 milhões de vacinas ainda em dezembro e o Brasil poderia ter sido um dos primeiros países do mundo a começar a vacinar, eu acho que isso é muito grave.”

Para Humberto Costa, Bolsonaro foi no caminho contrário de outros líderes que, mesmo negacionistas, se apegaram à vacinação. “Houve muitos governantes negacionistas, assim como Bolsonaro, de extrema-direita, que vivem da disseminação de desinformação e da polarização política. No momento que o tema da vacina surgiu, essas pessoas abraçaram essa causa, correram atrás, procuraram fazer com que a população fosse vacinada, adquiriram vacinas rapidamente.”

Eleições, os questionamentos feitos por Bolsonaro e o cenário para 2022

Humberto Costa fez ainda uma avaliação das atitudes do presidente Jair Bolsonaro em relação às eleições e as acusações de uma possível fraude que não foi comprovada por ele em sua live semanal, realizada na última quinta-feira (29), como havia prometido.

O cenário eleitoral para 2022 também foi tema da entrevista e, segundo o senador, o mais importante é garantir que o pleito irá ocorrer e que será feito de maneira democrática.

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