CPI da Covid deverá ser prorrogada para investigar denúncias de Miranda

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BRASILIA, BRAZIL - JUNE 08: Health Minister Marcelo Queiroga speaks in the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus (COVID-19) pandemic at the Federal Senate June 8, 2021 in Brasilia, Brazil. The CPI was ordered by the Supreme Court. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
Foto: Andressa Anholete/Getty Images
  • Revelações do deputado colocam Bolsonaro próximo ao caso da Covaxin

  • Miranda revelou que o presidente sabia que Barros comandava esquema

  • Vacina indiana foi comprada de forma irregular

Após a sessão desta sexta-feira (25), que ouviu os irmãos Miranda, parte dos senadores que compõe a comissão acreditam ser necessário prorrogar a CPI da Covid para investigar os novos fatos expostos.

Ester parlamentares fazem parte dos grupos de independentes e de oposição na CPI. No total, eles têm sete dos onze membros. "Chegamos à conclusão ontem de que será preciso prorrogar", declarou Alessandro Vieira (Cidadania-SE). "Não há outra alternativa".

Vieira informou que a prorrogação será levada à votação – e quase certamente aprovada – na próxima semana. Assim, os trabalhos serão encerrados 90 dias depois do prazo inicial, que é no dia 7 de agosto.

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Com o tempo extra, poderão seguir na investigação da denúncia e chamar o deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, para depor. Serão requeridas também quebras de sigilo e novos depoimentos.

Entenda o caso da Covaxin

Em seu depoimento, Luis Miranda (DEM-DF) revelou que Bolsonaro sabia que Ricardo Barros estava à frente do esquema da compra da Covaxin. Barros já foi ministro da Saúde entre 2016 e 2018. Desde então se mantém próximo à pasta.

Além disso, Barros é autor de uma emenda parlamentar que visava permitir a importação de vacinas ainda sem autorização da Anvisa.

A empresa intermediária usada para a importação entre a fabricante indiana e o Brasil era a Precisa Medicamentos, que já é investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) por desvios na venda de medicamentos ao Ministério da Saúde – exatamente quando Barros comandava a pasta.

O encontro entre o presidente Bolsonaro, Miranda e seu irmão Luis Ricardo, servidos do Ministério da Saúde encarregado das autorizações de importações, foi no Palácio do Planalto, em 20 de março. Foi nessa conversa que os irmãos informaram ao presidente as irregularidades que eles encontraram na importação da Covaxin.

Entre as questões apresentadas pelos Miranda estavam uma nota fiscal, ou invoice, com número de doses menores que o combinado, mas com previsão de pagamento adiantada, diferente de estava no contrato. A mesma nota afirmava que o pagamento devia ser encaminhado a uma offshore em Cingapura, algo que tampouco estava no contrato.

Outro ponto levado ao presidente é que Luis Ricardo estaria sendo pressionado por superiores no Ministério da Saúde para emitir a licença de importação, em qualquer circunstância. Foi nesse contexto que Bolsonaro teria dito: “Isso é coisa do Ricardo Barros”.

Os superiores de Luis Ricardo eram o coronel Alex Lial e o diretor Roberto Dias Lopes, apadrinhado político de Ricardo Barros. A importação acabou sendo liberada pela fiscal Regina Célia Silva Oliveira, nomeada na gestão Barros.

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