CPI da Covid: Dominguetti diz que pedido de US$ 1 adicional por dose foi ‘exclusivamente’ de Roberto Dias

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Luiz Paulo Dominguetti, representante da Davati Medical Supply, em depoimento à CPI da Covid no Senado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Luiz Paulo Dominguetti, representante da Davati Medical Supply, em depoimento à CPI da Covid no Senado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • Luiz Dominguetti diz que pedido de US$ 1 adicional por dose foi ‘exclusivamente’ de Roberto Dias

  • Segundo ele, contrato não foi fechado, porque, além de ser “imoral”, haveria dificuldades práticas

  • Contrato não avançou depois da negativa do pagamento de propina

O representante comercial Luiz Dominguetti afirmou nesta quinta-feira (1º) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado que o suposto pedido de propina em uma negociação de vacinas entre o Ministério da Saúde e a empresa Davati, em fevereiro deste ano, partiu "exclusivamente" do então diretor de Logística da pasta, Roberto Dias. 

Questionado pelo relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), sobre o valor da propina pedido na negociação de vacina da AstraZeneca, Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante da Davati Medical Supply, confirmou que Roberto Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, solicitou a "majoração" de US$ 1 por dose.

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"O pedido dessa majoração foi exclusivamente do senhor Roberto Dias", disse Dominguetti.

"Qual era a proposta de propina, qual era o valor?", questionou o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), que fazia as perguntas ao depoente no momento da declaração.

"Era 1 dólar por dose. US$ 3,50, excelência, a primeira proposta. A Davati estava ofertando ao Ministério da Saúde 400 milhões de doses", detalhou Dominguetti.

Segundo Dominguetti, o contrato não foi fechado, porque, além de ser “imoral”, haveria dificuldades práticas para incluir esse dólar extra no contrato e nas notas fiscais.

"O que aconteceu depois nesse avanço da vacina, é tudo o mercado lá fora. Os alocadores [distribuidores] que colocam os valores das vacinas a serem ofertados. Então, por isso que não tem como eu chegar e aceitar qualquer coisa, embora seja imoral também. Mas [não poderia] aceitar qualquer coisa, porque eu teria que tirar do meu bolso para pagar", disse.

"Porque se lá [na oferta] não sai esse valor, como é que eu ia colocar um dólar aqui? Quem ia pagar essa nota, onde eu ia arrumar uma nota para isso? Não existia", acrescentou.

Dominguetti relatou ao jornal Folha de S. Paulo nesta semana que Roberto Ferreira Dias, diretor de Logística do Ministério da Saúde, pediu propina de um dólar por dose em troca do contrato assinado.

"Ele me disse que não avançava dentro do ministério se a gente não compusesse com o grupo, que existe um grupo que só trabalhava dentro do ministério, se a gente conseguisse algo a mais tinha que majorar o valor da vacina, que a vacina teria que ter um valor diferente do que a proposta que a gente estava propondo", afirmou à Folha o representante da empresa.

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