CPI da Covid: Empresa com contratos com a Saúde diz que executiva não prestará depoimento nesta terça

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BRASÍLIA - A empresa VTCLog informou que a executiva Andréia Lima não irá à CPI da Covid nesta terça-feira. O depoimento dela foi marcado em cima da hora, na noite de segunda, em razão da decisão do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que garantiu o direito do motoboy Ivanilo Gonçalves da Silva, de não ir à CPI nesta terça. A VTCLog é uma empresa de logística com contratos no Ministério da Saúde e responsável pelo transporte de insumos, inclusive vacinas.

Em nota, a empresa informou que Andréia está à disposição da CPI, mas já tinha agenda marcada nesta terça-feira. Ela foi a São Paulo para, "entre outros compromissos, gerenciar todos os lotes recém-chegados de vacinas e, impreterivelmente hoje, definir sobre a contratação de tecnologia para transporte da Pfizer a -70 graus dentro dos prazos e necessidades do PNI [Programa Nacional de Imunização] do Ministério da Saúde".

Em outro ponto, a nota destaca que ela "tem pleno respeito aos trabalhos da CPI, de modo que sempre esteve e está à disposição de convocação prévia que observe o prazo regimental que se aplica a todo e qualquer cidadão". CPI da Covid: veja os principais acontecimentos na comissão até agora

Inicialmente, prestaria depoimento nesta terça o motoboy Ivanildo, mas o ministro Nunes Marques, do STF, deu uma decisão liminar na noite de segunda permitindo que ele não fosse à sessão. Se mesmo assim quiser ir, Ivanildo poderá ficar em silêncio, sem responder as perguntas que lhe sejam feitas. Também está desobrigado a firmar o compromisso de dizer a verdade, e não poderá ser preso em razão disso.

O pedido da defesa de Ivanildo ao STF foi feito na última sexta-feira. Reportagem do "Jornal de Brasília" mostrou que o motoboy sacou um total de R$ 4,74 milhões para a VTC Log, uma empresa de logística com contratos no Ministério da Saúde e responsável pelo transporte de insumos, inclusive vacinas.

Segundo a reportagem, um relatório de inteligência financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) cita o nome de Ivanildo diversas vezes. A maioria dos saques foi em espécie na boca do caixa. Na ação no STF, o advogado Alan Diniz Moreira Guedes de Ornelas, que o defende, diz que "sua função é de motoqueiro e, em decorrência disto, realiza todas as diligências que dependem de deslocamento, inclusive bancárias".

Em nota, a VTCLog destacou que a decisão de Nunes Marques "reforça o papel desempenhado pelo funcionário Ivanildo Gonçalves da Silva, uma vez que o mesmo apenas realiza serviços de deslocamento, incluindo diligências bancárias, atos que são necessários à administração da empresa, não desempenhando, dessa forma, nenhuma função que possa colaborar com as investigações da CPI da Covid-19".

Senadores perplexos

Na madrugada, pouco depois das 3h, a CPI recorreu contra a decisão de Nunes Marques. A comissão alega que o Judiciário não deve interferir no trabalho do Legislativo e pede que o ministro reconsidere sua decisão ou o leve para análise colegiada dos demais integrantes a Corte. A CPI pede urgência na análise do recurso.

Segundo o documento, "a maioria dos Membros da Comissão Parlamentar de Inquérito recebeu com absoluta surpresa e perplexidade" a decisão, mesmo sabendo que Nunes Marques "decidiu até o momento contra a CPI em virtualmente todos os processos de sua relatoria".

A CPI diz ainda que a convocação de Ivanildo foi devidamente motivada e tem relação com as investigações: "Como apontado na citada reportagem e já é público e notório, a VTClog desempenha papel fundamental do sistema de enfrentamento à pandemia de Covid-19 administrado pelo Ministério da Saúde, porque é responsável pela distribuição de vacinas contra o novo coronavírus em todo o País."

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