CPI da Covid fará representação no CNJ contra juíza responsável pelo Caso Henry após magistrada dizer que não deixaria audiência virar circo

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A CPI da Covid vai solicitar à Corregedoria do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) informações sobre a juíza Elizabeth Louro Machado, responsável pelo caso do homicídio de Henry Borel Medeiros. Também vai pedir que a Advocacia do Senado faça uma representação contra ela no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Na manhã desta quarta-feira, ao intervir em uma discussão durante o depoimento da primeira testemunha na fase preliminar do julgamento do caso, a magistrada disse que não deixaria a audiência ser transformada em um circo.

— Isso aqui não é debate nem CPI. Os senhores não vão transformar isso aqui num circo — disse a juíza.

O caso foi levado à CPI pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Ele afirmou que ela feriu a Lei Orgânica da Magistratura, que proíbe manifestações políticas. O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), e o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), concordaram com Randolfe.

Tumulto na audiência

No início de seu depoimento, o delegado Henrique Damasceno falou sobre o momento em que Monique foi ouvida na 16ª DP, à frente da investigação do caso da morte de Henry. O titular da DP disse que a professora chegou a pedir pizza e tirou selfie enquanto estava na delegacia. Já o médico e ex-vereador Jairo Santos Santos Júnior, o doutor Jairinho, padrasto da criança, fazia piadas.

— Monique se mostrou completamente à vontade, inclusive eles pediram pizza durante o depoimento na delegacia — dizia o delegado Damasceno, relatando que o comportamento foi atípico durante depoimento em sede policial em 17 de março.

Neste momento do depoimento, o advogado de Monique, Thiago Minagé, pediu a palavra à juíza. O promotor Fabio Vieira interveio, e os dois começaram a discutir. A magistrada, então, advertiu que não deixaria a audiência virar um circo.

Testemunhas

A fase preliminar do julgamento começou na manhã desta quarta-feira, com a primeira audiência de instrução do caso, no plenário do II Tribunal do Júri, no Fórum da capital, no Centro do Rio. Durante todo o dia, serão ouvidas 12 testemunhas de acusação: três policiais da 16ª DP (Barra da Tijuca), que desvendou a morte do menino, e nove pessoas que prestaram depoimento na delegacia durante as investigações. Dr. Jairinho e Monique são réus pelos crimes de tortura e homicídio triplamente qualificados, além de fraude processual e coação no curso do processo. Eles estão presos desde 8 de abril.

Serão ouvidos nesta quarta-feira pela juíza Elizabeth Louro Machado, titular do II Tribunal do Júri, os delegados Henrique Damasceno e Ana Carolina Medeiros, então titular e assistente da 16ª DP, e o inspetor Rodrigo Melo, também lotado na distrital. Também foram arroladas como testemunhas de acusação pelo promotor Fábio Vieira o pai da vítima, o engenheiro Leniel Borel de Almeida, a babá Thayna de Oliveira Ferreira e a empregada doméstica Leila Rosângela de Souza Mattos.

Prestarão depoimento ainda três médicas do Hospital Barra D'Or, onde Henry foi atendido: Maria Cristina de Souza Azevedo, Viviane dos Santos Rosa e Fabiana Barreto Goulart Déléage. O executivo Pablo Meneses, vice-presidente de operações e relacionamento da Qualicorp e conselheiro do Instituto D'or de Gestão de Saúde, também foi convocado. A lista de testemunhas inclui, por fim, a cabeleireira Tereza Cristina dos Santos e a ex-mulher de Jairinho, a dentista Ana Carolina Ferreira Netto.

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