CPI da Covid: Mayra Pinheiro diz que “não recomendou, mas que orientou” uso da cloroquina

Secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, em depoimento à CPI da Covid no Senado.
Secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, em depoimento à CPI da Covid no Senado. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • Na CPI da Covid no Senado, Mayra Pinheiro diz que “não recomendou, mas que orientou” uso da cloroquina

  • Secretária do Ministério da Saúde afirmou que não recebeu ordens para ampliar ou incentivar uso de medicamentos

  • Ela disse também que 'orientação' não foi iniciativa pessoal

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, afirmou que nunca recebeu ordens para ampliar ou incentivar o uso de hidroxicloroquina, medicamento comprovadamente sem eficácia para tratar a covid-19.

Em resposta ao presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), Mayra Pinheiro disse que “não recomendou, mas que orientou”, sem explicar a diferença.

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Conhecida como “Capitã Cloroquina”, Mayra afirmou que o Ministério da Saúde nunca recomendou medicamento e apenas deu orientações referentes às doses adequadas.

“Nós estabelecemos doses segurar para que médicos brasileiros pudessem utilizar esses medicamentos com o consentimento dos seus pacientes”, disse.

Ela acrescentou que “toda doença deve ser tratada precocemente” e criticou a OMS.

“O Brasil não é obrigado a seguir as orientações da OMS. Se assim fosse, nós teríamos falhando como a OMS falhou”.

Imunidade de rebanho

Mayra Pinheiro afirmou também que defendeu a estratégia de imunidade de rebanho apenas para crianças e que medida não pode ser usada “indistintamente”.

“Efeito rebanho não pode ser usado indistintamente entre população porque isso pode resultar em várias mortes”, afirmou.

No depoimento, ela afirmou que ninguém no governo defendeu essa tese para ela.

Falta de oxigênio em Manaus

Questionada sobre a falta de oxigênio medicinal em Manaus, a secretária disse que tomou conhecimento dos problemas através de um email da empresa White Martins, que havia sido repassado pelas autoridades locais para a pasta. Ela disse que esteve na cidade até o dia 5, mas não foi informada pela Secretaria de Saúde do Amazonas sobre falta do insumo.

"Não houve uma percepção que faltaria. De provas, é que nós tivemos uma comunicação por parte da Secretaria Estadual que transferiu para o ministro um email da White Martins dando conta que haveria um problema de abastecimento", respondeu.

Relatives of patients hospitalised or receiving healthcare at home, mostly suffering from coronavirus disease (COVID-19), gather to buy oxygen and fill cylinders at a private company in Manaus, Brazil January 15, 2021. REUTERS/Bruno Kelly     TPX IMAGES OF THE DAY
Pacientes de covid internados em Manaus morreram sufocados pela falta de oxigênio medicinal (Foto: REUTERS/Bruno Kelly)

Em seguida, ela disse que essa comunicação se deu no dia 8 de janeiro. No entanto, o ex-ministro Eduardo Pazuello alegou, em seu depoimento à CPI, que apenas foi informado do problema no dia 10.

No dia 7 de janeiro, a White Martins enviou email à Secretaria de Saúde do Amazonas na qual informou que não tinha quantidade suficiente de oxigênio para suprir a demanda do estado. No mesmo email, a White Martins aponta o nome de outro concorrente, Carboxi, que poderia ter a carga necessária, segundo documentos.

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