CPI da Covid: Ministro encaminha por engano a Mandetta pergunta a ser feita por governista

Julia Lindner, André de Souza e Natália Portinari
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Ao depor na CPI da Covid, nesta terça-feira, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou que recebeu por engano do ministro das Comunicações, Fábio Faria, um questionamento que acabou sendo feito pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), aliado do Palácio do Planalto. Ao ser confrontado, Ciro não negou ter seguido orientações de Faria.

- Caro senador Ciro Nogueira, ontem eu recebi essa pergunta, exatamente nessa íntegra, do ministro Fábio Faria. Acho que ele inadvertidamente mandou para mim a pergunta e quando eu ia responder ele apagou a mensagem. Então, eu vou responder para o senhor, mas também para o meu amigo, que foi parlamentar comigo, ministro Fábio Faria - disse Mandetta, em tom de ironia.

Na pergunta, Ciro questionou se era verdade que Mandetta havia recomendado, em março do ano passado, chá, canja de galinha e reza contra o novo coronavírus. Na época, o então ministro da Saúde dizia que as medidas eram "conselhos de avó" e não necessariamente iriam ajudar, mas também não fariam mal. Ele também recomendava que as pessoas evitassem aglomerações.

Ao citar a declaração, Ciro Nogueira disse que Mandetta recomendava que as pessoas com sintomas leves permanecessem em casa "fazendo orações, tomando chá e canja de galinha". Para Ciro, a recomendação foi "equivocada" e resultou em "enorme subnotificação".

- Quando temos doenças virais, você tem alguns princípios: temos vacina? Não temos. Temos medicamento retroviral? Não temos. Como vamos conduzir? Vamos observar o paciente, vamos vê-lo, vamos cuidar desse paciente - reagiu Mandetta.

Ao receber a mensagem de Fábio Faria, o ex-ministro da Saúde teve tempo para se preparar e disse que pesquisou sobre as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o tema:

- Ela [recomendação] é exatamente 'entre em contato com o seu provedor de saúde imediatamente se você sentir os sinais de perigo, dificuldade de respirar, perda da capacidade de respirar, dor no peito'.

Esta não é a primeira vez que uma interferência do Palácio do Planalto na atuação de governistas na CPI é identificada. Conforme revelou o GLOBO, requerimentos apresentados por aliados do presidente Jair Bolsonaro, entre eles o senador Ciro Nogueira, possuem na assinatura digital o nome de uma assessora da Secretaria Especial de Assuntos Parlamentares (SEAP), Thaís Amaral Moura. O tema já foi assunto de bate-boca no colegiado.