CPI da Covid: Nise Yamaguchi nega que tentou mudar bula da cloroquina

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Doctor Nise Yamaguchi attends a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil June 1, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Nise Yamaguchi depõe à CPI da Covid nesta terça-feira (1) (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • Nise Yamaguchi negou que tenha tentado mudar a bula da cloroquina

  • Declaração vai no sentido contrário ao que disse Antonio Barra Torres, presidente da Anvisa

  • Mandetta também disse que houve a tentativa de alterar a bula do medicamento para incluir o tratamento da covid-19

A médica Nise Yamaguchi negou que tenha trabalhado para mudar a bula da cloroquina. A declaração vai no sentido contrário do que havia dito o presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, quando esteve na CPI da Covid. O fato também foi comentado pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.

"De forma alguma, não. Eu devo dizer para o senhor o seguinte: eu não fiz nenhuma minuta, inclusive, não conhecia esse papel", declarou. Nise confirmou que a reunião com Barra Torres e Mandetta aconteceu e disse que, ao final do encontro, foi chamada para falar sobre a mudança da bula da cloroquina.

"Inclusive, depois da reunião, eu descobri que eles estava falando de uma minuta. E essa minuta não falava de bula, falava da possibilidade de haver uma disponibilização de medicamentos", disse a médica. Em seguida, ela pediu para ler os três pontos na minuta. 

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Segundo Nise Yamaguchi, ela apoiou a ideia de que a cloroquina pudesse ser usada após consentimento entre médico e paciente. "Eu não minutei nenhuma minuta de bula, nem discuti isso", afirmou. "Não existiu a ideia de mudança de bula por minuta, nem por decreto." 

"Ele (Barra Torres) deveria pelo menos apresentar a minuta, porque nesse momento não houve minuta de mudança de bula. Estou explicando ao senhor que depois eu tive acesso ao que era, e era simplesmente a declaração de que a gente conseguiria simplesmente de uso de medicamente", alegou. 

O que disse Barra Torres 

Em depoimento à CPI da Covid no Senado, o presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, confirmou que houve a tentativa de alterar a bula da cloroquina, com o objetivo de incluir o medicamento no tratamento da covid-19.

A informação de tentativa de alteração da bula foi dada inicialmente pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, na CPI na semana passada. Mandetta, no entanto, afirmou que a iniciativa foi do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Segundo Barra Torres, a reunião aconteceu no Palácio do Planalto e contou com a presença de Mandetta e da médica Nise Yamaguchi, defensora do uso da cloroquina como "tratamento precoce" contra a covid-19. Além deles, estavam presentes mais um médico e Braga Netto, então ministro da Casa Civil.

"Esse documento foi comentado pela doutora Nise Yamaguchi, o que provou uma reação, confesso, até um pouco deseducada ou deselegante minha. Minha reação foi muito imediata de dizer que aquilo não poderia ser. Porque, talvez não seja do conhecimento de vossas excelências, só quem pode modificar uma bula de um medicamento registrado é a agência reguladora daquele país, mas, desde que solicitado pelo detentor do registro", relato Barra Torres.

O presidente da Anvisa afirmou que se tratava de uma proposta "de uma pessoa física". Diferentemente de Mandetta, Barra Torres não citou o presidente Jair Bolsonaro. Ele contou que a reunião aconteceu no Palácio do Planalto e, após a proposta, a reunião não teve continuidade.

"Aconteceu em uma daquelas salas de reuniões do quarto andar, porque ali era onde se reunia o então chamado grupo executivo interministerial e Anvisa", explicou. "Eu estava lá na qualidade de integrante do grupo."

"Eu não tenho informação de quem é o autor, quem criou, quem teve a ideia. A doutora (Nise Yamaguchi) de fato perguntou sobre e pareceu estar, digamos, mobilizada com essa possibilidade", afirmou. Barra Torres negou ter participado de reuniões para aconselhar Jair Bolsonaro na área da saúde.

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