CPI da Covid ouve ex-assessor da Saúde que intermediou encontro em que houve suposto pedido de propina por vacina

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BRASÍLIA - Ex-assessor do Ministério da Saúde, o coronel Marcelo Blanco depõe nesta quarta-feira na CPI da Covid para esclarecer a sua participação no encontro em que o policial militar Luiz Paulo Dominguetti alega ter recebido pedido de propina de Roberto Dias, ex-diretor de Logística da pasta, por uma suposta venda de vacinas ao governo federal. Blanco é apontado como intermediador da reunião, que ocorreu em um shopping de Brasília. O coronel abriu uma empresa poucos dias antes da conversa, o que levantou suspeitas no colegiado.

Segundo o GLOBO apurou, o principal argumento de Blanco à CPI será de que ele foi enganado por Dominguetti. O policial se anunciava como um representante comercial que poderia vender ao Brasil 400 milhões de doses da vacina Astrazeneca, mas não tinha nem sequer autorização do laboratório.

O militar admite que, após ser procurado por Dominguetti, em fevereiro, viu a oportunidade de negociar os imunizantes para a iniciativa privada. Na época, ele já tinha deixado o cargo de assessor na Saúde. Blanco abriu uma consultoria três dias antes do jantar com o policial e, cerca de um mês depois, incluiu atividades ligadas à área da saúde no escopo das atividades da empresa.

Por ser investigado, o coronel prestará depoimento amparado por um habeas corpus que lhe garante o direito ao silêncio e o impede de ser preso, a exemplo do que ocorreu com Roberto Dias, em julho. Apesar da medida, Blanco afirma que vai responder a todas as perguntas dos senadores.

— Hoje todo mundo sabe que Dominguetti é um cabo PM da ativa, que jamais foi representante de vacina. Eu não tenho bola de cristal. Em fevereiro, ele dizia que era representante de uma multinacional americana, que tinha essa quantidade absurda de vacina — alegou Blanco ao GLOBO.

Em seu depoimento, ele pretende confirmar a versão de que Dias, então diretor de Logística, não sabia que o PM estaria no local. Dias fez esta afirmação quando prestou depoimento.

— Eu sabia que Roberto estaria no Vasto (restaurante), mas ele não sabia que Dominguetti iria. Talvez isso tenha sido uma falha minha de não ter alertado — diz o miliitar.

Em depoimento à CPI, Dias afirmou inicialmente que seu encontro com Dominguetti e Blanco no restaurante foi casual, mas depois assumiu, a partir de áudios exibidos na comissão, que o coronel sabia que ele estaria no local. Ele acabou tendo a prisão decretada por falso testemunho.

Na versão de Dominguetti, foi neste encontro que Dias falou de um suposto pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina. Já o coronel afirma que neste dia Dias pediu a Dominghetti que mandasse um e-mail formalizando o pedido de agenda para o dia seguinte, o que de fato ocorreu.

— Nunca ocorreu isso. O comportamento dele após o dia 25 (de fevereiro) descontrói a história que ele criou. Ele fala que ficou indignado com o pedido e no dia seguinte ele manteve a proposta no Ministério da Saúde.

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