CPI da Covid: Participação de senadoras fica para o final da sessão

Redação Notícias
·3 minuto de leitura
Eliziane
Sem mulheres na CPI, senadora Eliziane Gama pediu que bancada feminina possa questionar pela ordem de inscrição (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
  • Participação da bancada feminina fica para o final da sessão da CPI da Covid

  • Comissão não tem nenhuma mulher entre seus membros e titulares

  • Senadora Eliziane Gama pediu que bancada possa inquirir pela ordem de inscrição, e não depois dos membros

As senadoras presentes na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado foram deixadas para o final. Pelo Regimento Interno, a ordem de inscrição para questionamentos na comissão segue a seguinte ordem: membros titulares da CPI, membros suplentes e, depois, demais senadores, por ordem de inscrição.

No início da sessão, Eliziane Gama (Cidadania-MA) pediu que as senadoras — que passaram a ter bancada feminina oficial — possam também inquirir pela ordem dos inscritos e não somente após os titulares e suplentes do colegiado.

Leia também

O argumento é que CPI não tem nenhuma mulher entre seus membros e suplentes. O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), decidiu que uma representante da bancada terá prioridade nos depoimentos.

A líder da bancada feminina, senadora Simone Tebet (MDB-MS) reforçou a decisão da bancada feminina de sempre ter pelo menos uma senadora presencialmente na CPI. 

“A bancada feminina se faz presente, sim, nesta comissão, mesmo sem direito a um assento. Não tenham medo da palavra e da fala de uma senadora. Estamos aqui porque nós queremos buscar a verdade”, disse, ressaltando que a bancada é formada por senadoras de diferentes partidos e linhas ideológicas. 

"Os fatos desta CPI, sabidamente determinados e infelizmente continuados, não são fatos de luz, mas de escuridão, pela perda de mais de 400 mil brasileiros motivada, em grande parte, pela omissão ou má gestão dos que deveriam cuidar da luz da vida", acrescentou.

Os senadores ouvem hoje o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta. A sessão começou às 10h, mas o depoimento de Mandetta iniciou por volta das 11h e ainda não terminou.

Amanhã, o ex-ministro da Saúde Nelson Teich vai depor na CPI. Inicialmente marcado para as 14h desta terça-feira (4), o depoimento foi adiado para quarta-feira (5).

O depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello será no dia 19 de maio. Ele comunicou à comissão que teve contato com pessoas com suspeita de covid e, por isso, não poderia comparecer ao Senado na data inicial.

Depoimento de Mandetta revela que Bolsonaro tinha "aconselhamento paralelo"

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou que o presidente Jair Bolsonaro tinha "aconselhamento paralelo" para a tomada de decisões na pandemia do coronavírus. Ele depõe, nesta terça-feira (4), na CPI da Covid no Senado Federal.

"Participei de inúmeras reuniões nas quais o filho do presidente, que é vereador no Rio, estava presente tomando notas", disse Mandetta.

"A imunidade de rebanho, sem comprovação científica, é possivelmente uma das teorias defendidas pela assessoria paralela de Bolsonaro", afirmou.

Mandetta contou também que viu uma minuta de documento da Presidência da República para que a cloroquina tivesse na bula a indicação para covid-19. De acordo com Mandetta, o próprio diretor-geral da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discordou dessa medida. Em contrapartida, o ministro "Jorge Ramos" minimizou a questão, dizendo que era apenas uma sugestão.

Na época, o Planalto não tinha um ministro com esse nome, mas um chamado Jorge Oliveira, na Secretaria-Geral, e outro Luiz Eduardo Ramos, na Secretaria de Governo.

"Mas é uma sugestão de alguém. Alguém se deu ao trabalho de colocar aquilo em formato de decreto", disse Mandetta.