CPI da Covid pede informações a companhia aérea sobre entrada de Bolsonaro em avião

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  • CPI da Covid aprova requerimento para que companhia aérea Azul preste esclarecimentos sobre entrada de Jair Bolsonaro em avião

  • Bolsonaro foi vaiado ao entrar em aeronave e tirou máscara para tirar fotos com passageiros e tripulantes

  • Senadores também aprovaram quebra de sigilos de representantes da indústria farmacêutica

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, aprovou, durante sessão nesta quarta-feira (16), um pedido de esclarecimentos à companhia aérea Azul sobre a entrada do presidente Jair Bolsonaro em um avião comercial em Vitória (ES), na semana passada, quando foi vaiado.

Bolsonaro entrou na aeronave para cumprimentar passageiros e foi recebido a gritos de "genocida". Ele chegou de máscara, mas a retirou em alguns momentos e tirou fotos com alguns passageiros e tripulantes.

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O senador Humberto Costa (PT-PE), autor do requerimento, questionou quem autorizou a entrada do presidente e os nomes dos tripulantes que estavam no avião. Ele quer saber também quais providências a Azul tomou para apurar as responsabilidade pela entrada de alguém que não era passageiro nem tripulante, e quais as medidas adotadas pelo fato de Bolsonaro e tripulantes terem tirado a máscara.

"O dever de fiscalizar é o uso de máscara é da empresa área. Ocorre que, no caso, em tela, além de não proibir a entrada do segurança Jair Bolsonaro sem máscara na aeronave, bem como de não proibir que próprio Bolsonaro de retirar a máscara para responder às pessoas que o criticavam, a própria tripulação retirou as máscaras para atacar tirar fotos com o presidente da República", diz o requerimento apresentado pelo senador.

Por outro lado, a CPI rejeitou requerimento do senador Eduardo Girão (Podemos-CE) para a convocação do secretário-executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas, por 7 votos a 4. Os senadores que votaram contra alegaram que as denúncias relativas ao consórcio na compra de respiradores envolve recursos estaduais, e não federais. Por isso, não seria da competência da comissão.

No início da sessão, os senadores derrubaram o sigilo de documentos encaminhados à comissão. Votaram contra os senadores governistas Marcos Rogério (DEM-RO), Ciro Nogueira (PP-PI) e Jorginho Mello (PL-SC). A maioria dos documentos são do Itamaraty, do Ministério da Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

CPI da Covid no Senado (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
CPI da Covid no Senado (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Ao final da sessão, senadores ainda vão votar outros requerimentos, como a convocação de Carlos Sanchez, CEO da EMS. O CEO da EMS tem ligação com o bolsonarismo. Além de reuniões no Palácio do Planalto, ele participou recentemente de jantar com empresários realizado em São Paulo no qual o presidente foi ovacionado.

Ciro Nogueira (PP-PI), aliado de Bolsonaro, tenta barrar a ida do empresário à comissão.

O presidente Jair Bolsonaro atuou diretamente em favor de duas empresas privadas solicitando ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, para que acelerasse a exportação de insumos para a fabricação de hidroxicloroquina, em abril do ano passado.

Presidente Jair Bolsonaro liga para premier da Índia para pedir liberação de insumos de cloroquina (Foto: Reprodução)
Presidente Jair Bolsonaro liga para premier da Índia para pedir liberação de insumos de cloroquina (Foto: Reprodução)

A CPI da Covid teve acesso a telegrama secreto do Ministério das Relações Exteriores, que contém a transcrição do telefonema feito por Bolsonaro no qual o presidente cita nominalmente as empresas EMS e Apsen ao pedir que a Índia liberasse a exportação dos produtos.

Senadores da comissão afirmaram que a ligação é prova importante do envolvimento pessoal do presidente com o fornecimento para o Brasil do remédio sem eficácia para o tratamento contra a covid-19.

Convocado para depor na CPI, o presidente da Apsen, Renato Spallicci, é um apoiador de Bolsonaro. Em 2018, ele declarou voto no atual presidente e tinha várias postagens nas suas redes sociais com ataques a adversários de Bolsonaro e defesa do governo.

Os senadores aprovaram também requerimentos de quebra de sigilos de:

  • José Alves Filho, sócio-administrador do laboratório Vitamedic, fabricante de ivermectina no Brasil.  

  • Renato Spallici e Renata Spallici, presidente e diretora da Aspen Farmacêutica, produtora da hidroxicloroquina

  • Carlos Wizard, empresário

  • Francisco Emerson Maximiano, empresário sócio da Precisa Medicamentos (que representa o laboratório indiano Bharat Biotec, fabricante da Covaxin)

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