CPI da Covid: “Pode passar a ser um procurado pela Interpol”, diz Humberto Costa sobre Maximiano

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  • Segundo o senador Humberto Costa, Francisco Maximiano pode passar a ser procurado pela Interpol, caso não volte ao Brasil para depor à CPI da Covid

  • Dono da Precisa Medicamentos está na Índia, mas deveria depor à comissão no Senado

  • Existe a possibilidade de senadores pedirem a prisão preventiva de Maximiano

A CPI da Covid no Senado volta no próximo dia 3, mas, mesmo antes da retomada das sessões, os senadores têm um problema a resolver. Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, saiu do Brasil. Agora, os senadores cogitam pedir a prisão preventiva dele.

Maximiano está na Índia e, caso não volte, pode passar a ser um procurado da Interpol, segundo o senador Humberto Costa (PT-PE). “Se ficar evidente que houve uma intenção de se ausentar para não comparecer é a própria decretação da prisão preventiva. E com a decretação da prisão preventiva, ele pode passar a ser um procurado pela Interpol”, declarou o senador ao Yahoo! Notícias.

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“Creio que ele não vai querer passar nem por esse constrangimento, nem vai considerar que ele é inalcançável”, disse Humberto Costa.

Para o senador, o caminho a ser seguido pela Comissão Parlamentar de Inquérito deve ser o mesmo do caso de Carlos Wizard. O empresário estava nos Estados Unidos na data em que deveria depor. “O presidente da CPI determinou, com apoio da comissão, a apreensão do passaporte dele (Carlos Wizard) a partir do momento em que ele chegasse ao Brasil, para obriga-lo a depor à comissão”, lembrou.

Contornando o habeas corpus

Maximiano está munido de um habeas corpus, concedido pelo Supremo Tribunal Federal. O documento permite que o dono da Precisa Medicamentos fique em silêncio, mas a CPI tenta driblar a situação e conseguir outras informações do empresário.

“As decisões dadas pelo Supremo admitem que ele possa silenciar sobre temas diretamente ligados a investigação que ele está sofrendo pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, mas que sobre outros temas ele não pode se negar a falar – até sob pena de ser atingido pelo conteúdo de artigos do Código de Processo Penal, que punem até mesmo com a prisão em flagrante o falso testemunho, o perjúrio e a negativa de colaborar”, afirmou o senador.

Director of Precisa Medicamentos, Emanuela Batista de Souza Medrades, Senator Omar Aziz and Senator Renan Calheiros attend a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil July 13, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Trabalhos da CPI da Covid serão retomados no dia 3 de agosto (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Na avaliação de Humberto Costa, se Maximiano está “tentando não depor”, é porque há motivos. O principal assunto investigado pela CPI que envolve o empresário é a compra da vacina Covaxin, no entanto, há outros temas que precisam de explicação.

“Ele não vai falar só sobre a Covaxin, ele vai ter que falar sobre a venda de preservativos femininos ao Ministério da Saúde, que teve um aditivo de valores inexplicável, ele vai ter que falar dos medicamentos, que ele recebeu em torno de R$ 20 milhões para dar ao Ministério da Saúde após uma dispensa de licitação, e nunca garantiu – nem os medicamentos e nem devolveu os recursos. Ele vai ter que explicar o cenário do que aconteceu no Distrito Federal e a participação da Precisa... então, não é um ambiente ou um depoimento do qual ele vai sair ileso. É por isso que, eu acredito, que ele está tentando evitar comparecer à CPI.”

A entrevista completa com o senador Humberto Costa estará disponível a partir de segunda-feira (2). 

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