CPI da Covid: Queiroga diz desconhecer 'ministério paralelo' de Bolsonaro

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Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, fala em depoimento à CPI da Covid no Senado
Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em depoimento à CPI da Covid no Senado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, diz desconhecer 'ministério paralelo' de aconselhamento de Bolsonaro

  • Em depoimento à CPI da Covid no Senado, ele confirmou ter se reunido apenas uma vez com Osmar Terra e uma com Nise Yamaguchi

  • Relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), exibiu vídeo em que mostra atuação do 'gabinete paralelo'

À Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, nesta terça-feira (8), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que desconhece um “ministério paralelo” de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro a respeito da condução da pandemia do coronavírus.

“Nunca vi esse grupo atuando em paralelo, de forma alguma. Não tenho contato com esse grupo”, afirmou. Queiroga admitiu ter se reunido uma vez com o deputado federal Osmar Terra. “Ele me procurou para falar sobre estudo sorológico, não tratamos sobre medicação”, disse.

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O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), exibiu um vídeo em que mostra o grupo aconselhando Bolsonaro sobre a pandemia, inclusive contra a vacinação. O deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) aparece como um dos principais nomes desse ‘gabinete paralelo’.

Atuação do 'ministério paralelo'

Em seu depoimentos na CPI, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta afirmou que o presidente Jair Bolsonaro tinha “aconselhamento paralelo” para a tomada de decisões na pandemia do coronavírus.

"Participei de inúmeras reuniões nas quais o filho do presidente, que é vereador no Rio, estava presente tomando notas", disse Mandetta.

"A imunidade de rebanho, sem comprovação científica, é possivelmente uma das teorias defendidas pela assessoria paralela de Bolsonaro", afirmou.

Mandetta contou também que viu uma minuta de documento da Presidência da República para que a cloroquina tivesse na bula a indicação para covid-19. De acordo com Mandetta, o próprio diretor-geral da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discordou dessa medida.

"Mas é uma sugestão de alguém. Alguém se deu ao trabalho de colocar aquilo em formato de decreto", disse Mandetta.

O diretor da Anvisa, Antonio Barra Torres, admitiu reunião no Palácio do Planalto para tratar da alteração da bula da cloroquina, com o objetivo de incluir o medicamento no tratamento da covid-19.

"Esse documento foi comentado pela doutora Nise Yamaguchi, o que provou uma reação, confesso, até um pouco deseducada ou deselegante minha. Minha reação foi muito imediata de dizer que aquilo não poderia ser. Porque, talvez não seja do conhecimento de vossas excelências, só quem pode modificar uma bula de um medicamento registrado é a agência reguladora daquele país, mas, desde que solicitado pelo detentor do registro", relatou Barra Torres.

Médica Nise Yamaguchi, em depoimento à CPI da Covid no Senado
Médica Nise Yamaguchi, em depoimento à CPI da Covid no Senado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Em seu depoimento, no dia 1º de junho, Nise Yamaguchi confirmou que participou de reuniões no Palácio do Planalto para discutir a pandemia, mas negou fazer parte um gabinete paralelo.

Já Carlos Murillo, CEO da Pfizer na América Latina, afirmou que Carlos Bolsonaro participou com o assessor especial da Presidência Filipe G. Martins da reunião de representantes da farmacêutica com Wajngarten. Ele relatou que o filho do presidente ficou brevemente na reunião e depois saiu da sala, enquanto Filipe Martins permaneceu.

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu com membros do “ministério paralelo” em seu gabinete pelo menos 27 vezes.

O levantamento foi feito com base na agenda presidencial entre março de 2020 e março 2021, pelo portal Metrópoles. Foram contabilizadas reuniões com Arthur Weintraub, ex-assessor especial da Presidência; vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos RJ), filho do presidente; Carlos Wizard, empresário; médico Luciano Dias Azevedo; deputado Osmar Terra (MDB-RS); e a médica Nise Yamaguchi.