CPI da Covid: 'Queremos saber por que não compramos as 70 milhões de vacinas da Pfizer', diz presidente da comissão

João de Mari
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A CPI da Covid tem Omar Aziz (PSD-AM) como presidente e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) na vice-presidência (Foto: Reprodução/Globonews)
A CPI da Covid tem Omar Aziz (PSD-AM) como presidente e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) na vice-presidência (Foto: Reprodução/Globonews)
  • O presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que quer respostas sobre o porquê do governo Bolsonaro não ter comprado as 70 milhões de doses de vacina da Pfizer

  • A declaração foi dada após a convocação dos três ex-ministros da Saúde do governo Bolsonaro, além do atual e do diretor-presidente da Anvisa, para depor na condição de testemunhas

  • Primeiro lote da vacina da Pfizer, de apenas 1 milhão de doses, deve chegar ao Brasil nesta quinta

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que quer respostas sobre o porquê do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) não ter comprado as 70 milhões de doses da vacina contra o coronavírus do laboratório Pfizer.

“Nós queremos saber por que a gente não comprou as 70 milhões de vacinas [do laboratório Pfizer, que foram oferecidas ao Brasil no ano passado, mas o governo recusou]”, afirmou, nesta quinta-feira (29), a jornalistas.

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Em agosto do ano passado, a farmacêutica ofereceu ao governo brasileiro 70 milhões de doses da vacina com previsão de entrega ainda em dezembro. A oferta, porém, foi recusada. 

A CPI da Covid vai investigar as ações e omissões do governo federal na condução da pandemia e o repasse de recursos federais na área da saúde a estados e municípios.

Convocação de ex-ministros para depor como testemunhas

A declaração de Aziz foi dada após a comissão ter aprovado, nesta quinta-feira (29), a convocação dos três ex-ministros da Saúde do governo Bolsonaro, além do atual e do diretor-presidente da Agência Nacional de Viligância Sanitária (Anvisa), para depor na condição de testemunhas. 

Veja datas e horários:

  • Terça-feira, 4 de maio: Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich;

  • Quarta-feira, 5 de maio: Eduardo Pazuello;

  • Quinta-feira, 6 de maio: Marcelo Queiroga e Antônio Barra Torres.

O senador vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), listou, em entrevista à Globonews, algumas perguntas que podem ser feitas aos ex-ministros.

Durante a fala de hoje, o presidente da comissão no Senado ainda disse que quer apurar o motivo de o Brasil sofrer com falta de vacinas contra a Covid-19. 

“Nós estamos atrás de soluções, de saber por que não entramos nos consórcios, por que a gente não participou de compras de outras empresas que estão produzindo vacina. Esse é o objetivo principal, sem pré-julgar ninguém”, declarou.

Ao lado do vice-presidente da CPI da Covid, Aziz deu mais detalhes sobre como as investigações devem ocorrer durante a CPI. Ele afirmou que “vão acontecer vários enredos” e que não é possível saber que rumos as apurações podem tomar. 

“É uma novela que nós vamos formar, que tem início, meio e fim”, disse. “Não adianta a gente colocar no plano de trabalho que supostamente ou provavelmente o fulano de tal vai falar isso ou aquilo.”

Primeiro lote da vacina da Pfizer deve chegar ao Brasil nesta quinta

O Ministério da Saúde anunciou a chegada das primeiras doses da vacina contra covid-19 da Pfizer no Brasil nesta quinta-feira (29). Serão entregues 1 milhão de doses do imunizante.

A chegada das doses acontece três meses depois de o governo Bolsonaro dizer que a compra de vacinas da farmacêutica geraria “frustração” nos brasileiros. Em 24 de janeiro, o Ministério da Saúde emitiu uma nota para explicar porque havia rejeitado a chegada de vacinas ao país.

O Congresso, então, aprovou uma lei que flexibilizava as regras para a compra de vacinas. A partir daí, a negociação entre o governo e a Pfizer avançou.

O governo federal anunciou em março a assinatura de contrato com a Pfizer para fornecimento de 100 milhões de doses de vacina contra a covid-19. A previsão é que haja entregas ainda em maio e junho, totalizando 15,5 milhões.

"Uma boa notícia é justamente a antecipação de doses da vacina Pfizer, fruto de uma ação direta do presidente da República Jair Bolsonaro com o executivo principal da Pfizer, que resulta em 15,5 milhões de doses da Pfizer já no mês de abril, maio e junho", anunciou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em pronunciamento no Palácio do Planalto.

SANTIAGO, CHILE - FEBRUARY 12: A health worker administers a COVID-19 vaccine to an elderly person at Estadio Bicentenario de la Florida vaccination centre, on February 12, 2021 in Santiago, Chile. The Andean nation has already vaccinated nearly 1.5 million people according to its Health Ministry. The country leads regionally in per capita vaccination with 4.1 per 100 citizens, over rates in Mexico and Brazil. To date, Chile has ordered 90 million vaccine doses from Pfizer, AstraZeneca, Sinovac and Johnson & Johnson to apply to its 19.2 million population.  (Photo by Claudio Santana/Getty Images)
O Congresso, então, aprovou uma lei que flexibilizava as regras para a compra de vacinas. A partir daí, a negociação entre o governo e a Pfizer avançou (Foto: Claudio Santana/Getty Images)

Mais de R$ 10 milhões em seguro internacional

Após meses de críticas, o governo federal desembolsou R$ 10,3 milhões para contratar um seguro internacional que cubra a responsabilidade em casos de eventos adversos das vacinas da Pfizer e da Janssen

Embora as vacinas ainda não tenham sido entregues ao Braisil, as ordens de pagamento foram emitidas pelo Ministério da Saúde em 30 de março, segundo a Folha de S. Paulo. Os pagamentos foram feitos à empresa inglesa de seguros Newline Underwriting Management Limited.

No dia seguinte, 31 de março, o governo antecipou o pagamento por 20% das doses de vacinas da Pfizer, com um depósito de R$ 1,14 bilhão. A Janssen recebeu R$ 536,7 milhões antecipados em 25 de março, segundo o jornal.

Em 18 de março, o Ministério da Saúde contratou 100 milhões de doses da Pfizer e outros 38 milhões de doses foram comprados da Janssen.

Distribuição das doses

O Ministério da Saúde estuda distribuir esse lote de vacinas da Pfizer somente para capitais e outros centros urbanos de grande porte. Os gestores entendem que, ao menos para essas primeiras doses, seria melhor adotar novas regras de distribuição, que considerassem a estrutura disponível em cada local. Isso porque a vacina da Pfizer demanda uma temperatura de -60°C para ser transportada em segurança.

Vacinação contra covid-19

O Brasil já aplicou Brasil aplicou ao menos uma dose de vacina contra Covid em mais de 30,2 milhões de pessoas. O número representa 14,29% da população brasileira.

Mas diversas cidades brasileiras suspenderam a aplicação da segunda dose. Segundo dados do Estadão, pelos menos oito estados estão sendo afetados pela falta de vacinas CoronaVac, vacina contra a covid-19 produzida pelo Instituto Butantan e pelo laboratório chinês SinoVac.