CPI da Covid: Renan reclama de 'provocação' do governo Bolsonaro

·4 minuto de leitura
Renan Calheiros
Renan Calheiros pediu a prisão do ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten em sessão da CPI da Covid na quarta (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
  • Relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros, critica "provocação" do governo Bolsonaro

  • Ontem, Flávio Bolsonaro foi à sessão da CPI e chamou Renan de "vagabundo"

  • "Vimos o filho do presidente vir aqui com a missão de fazer uma única coisa: ofender e escrachar"

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, senador Renan Calheiros (MDB-AL) criticou a ida do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) ontem à CPI, quando o filho 01 do presidente chamou Calheiros de "vagabundo". Flávio não é membro da comissão.

"Aos pregadores do ódio, vimos o filho do presidente vir aqui com a missão de fazer uma única coisa: ofender e escrachar. Minha resposta é este número de vítimas [...] A resposta a essas ofensas é aprofundar a investigação". Renan usa uma placa com o número de mortes pela Covid no Brasil.

Leia também

O relator também citou viagem que o presidente Jair Bolsonaro faz hoje a Alagoas para inaugurar, segundo ele, obra realizada pelo governo estadual, "para provocá-lo".

A sessão de ontem da CPI foi suspensa após o bate-boca entre os senadores Renan Calheiros e Flávio Bolsonaro. 

"Imagina a situação: um cidadão honesto ser preso por um vagabundo como o Renan Calheiros. Olha a desmoralização, estão perdendo a visão do todo. Você é um vagabundo, rapaz", afirmou Flávio Bolsonaro.

"Aceito isso como um elogio. Vagabundo é você que roubou dinheiro do pessoal do seu gabinete. Você é que é (vagabundo)", disse Renan.

"Quer aparecer, rapaz. Quer aparecer, rapaz. Se foder", respondeu o filho do presidente.

O filho 01 do presidente se irritou com o pedido de prisão do ex-secretário de comunicação do governo Bolsonaro Fabio Wajngarten, feito por Calheiros, após diversas contradições do depoente.

Renan Calheiros insistiu que Wajngarten cometeu falso testemunho ontem. 

"Ficou inequivocamente comprovado que o ex-secretário mentiu a esta CPI e cometeu o crime de falso testemunho".

Entre os motivos justificados por Renan Calheiros para pedido de prisão, está, por exemplo, a mudança de versão dada por Wajngarten na negociação para compra de vacinas da Pfizer.

A CPI da Covid ouve hoje o ex-CEO da Pfizer no Brasil Carlos Murillo.

Wajngarten muda versão da entrevista à Veja

A revista Veja divulgou o áudio em que o ex-secretário de comunicação do governo Bolsonaro Fabio Wajngarten declara que houve "incompetência" na gestão da pandemia da covid-19 no país. Em sua fala na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, nesta quarta-feira (12), o ex-chefe da Secom negou ter dado as declarações com críticas à gestão do ministro Eduardo Pazuello à frente do Ministério da Saúde durante as negociações para a compra de vacinas contra a covid-19.

Ao ser questionado pelo repórter se foi "negligência ou incompetência" o atraso na aquisição de vacinas , Wajngarten declara: "Foi incompetência. Quando você tem um laboratório americano com cinco escritórios de advocacia apoiando a negociação e tem do outro lado um time pequeno, tímido, sem experiência, é sete a um".

Nesta quarta-feira (12), ele negou que tenha participado de negociações para a compra de vacinas da Pfizer.

"Em nenhum momento a Secom (Secretaria de Comunicação) negociou valores, negociou condições contratuais", disse Wajngarten, ao ser questionado por Renan Calheiros.

Por outro lado, ele afirmou ter condições técnicas de fazer a negociação. "Primeiro porque minha formação é jurídica, segundo porque tenho experiência na negociação de contratos internacionais", declarou.

A fala de Wajngarten na CPI contraria o que ele disse em entrevista à revista Veja. À publicação, o ex-secretário afirmou: "Me coloquei à disposição para negociar com a empresa, antevendo o que estava para acontecer: o presidente seria atacado e responsabilizado pelas mortes. A vacina da Pfizer era a mais promissora, com altos índices de eficácia, segundo os estudos".

Em abril, ele ainda revelou que as negociações avançaram. Na CPI, a postura foi diferente. "Não participei de negociação propriamente dita, eu quis encurtar e aproximar pontas, diante de uma carta que não foi respondida. E a comunicação sofria com isso, diante dos questionamentos que recebíamos", afirmou nesta quarta-feira.

Wajngarten ainda negou que a Pfizer tenha oferecido 70 milhões de doses da vacina contra a covid-19. O ex-Secom falou em um número "irrisório" de 500 mil doses do imunizante. "Isso foi objeto de grande discussão minha com a Pfizer, porque eu sempre busquei mais vacina no menor prazo", disse Wajngarten.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos