CPI da Covid: Senadores ouvem servidora que autorizou contrato com a Covaxin

·3 minuto de leitura
Employee of the Ministry of Health, Luis Ricardo Fernandes Miranda, Brazilian Federal Deputy  Luis Miranda, senator Omar Aziz and senator Renan Calheiros attend a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil June 25, 2021. REUTERS/Adriano Machado
CPI da Covid ouvirá hoje Regina Célia, um desdobramento do depoimento dos irmão Miranda no dia 25 de junho (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • CPI da Covid ouve nesta terça-feira Regina Célia Silva Oliveira, servidora do Ministério da Saúde

  • Luis Ricardo Miranda afirmou à comissão que foi Regina quem autorizou a negociação com a Covaxin

  • Senadores suspeitam que a servidora tenha sido indicada por Ricardo Barros, líder do governo na Câmara

Nesta terça-feira (6), a CPI da Covid vai ouvir Regina Célia Silva Oliveira, servidora do Ministério da Saúde apontada como responsável por dar a autorização que a pasta negociasse a compra da Covaxin, vacina indiana contra a covid-19, produzida pelo laboratório Bharat Biotech.

Regina atuava como fiscal do contrato e autorizou a compra do imunizante. Já a área de importação do Ministério da Saúde constatou problemas e possíveis fraudes na negociação. Na oitiva da servidora, os senadores devem buscar detalhes sobre as condições em que o contrato com a Precisa Medicamentos foi fechado.

Leia também:

A servidora foi citada nominalmente por outro funcionário do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, ouvido na CPI no dia 25 de julho, quando ele esteve no Senado Federal ao lado do irmão, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF).

Luis Ricardo revelou ter sofrido pressão pela liberação da compra da Covaxin, mesmo após ter notado irregularidades. A área dele impediu que as negociações continuassem, mas Regina teria dado a aprovação necessária.

“No dia 22 de março, foi autorizada pela fiscal do contrato, Regina Célia Silva Oliveira, da SVS (Secretaria de Vigilância em Saúde), a continuidade do processo para o quantitativo menor de 3 milhões de doses e a empresa Madison”, afirmou o servidor.

Indicada por Ricardo Barros

No dia 25 de junho, quando os irmãos Miranda depuseram à CPI, o deputado federal afirmou que o caso Covaxin foi articulado por Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara dos Deputados. No governo Temer, Barros foi ministro da Saúde.

O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou ter informações de que Regina Célia foi indicada por Barros para ocupar um cargo na pasta ainda durante o governo de Michel Temer. Esse é outro ponto que deve ser investigado por senadores durante o depoimento.

Nas redes sociais, Barros negou envolvimento na tentativa de compra da Covaxin e também disse não ser o responsável pela indicação da servidora ao Ministério da Saúde.

Caso Covaxin

O imunizante é alvo da comissão parlamentar de inquérito por dois motivos: o valor, 15 dólares por dose, o mais caro que o governo brasileiro se dispôs a pagar, e o fato de a negociação ter contado com um intermediário, a Precisa Medicamentos.

As possíveis irregularidades na compra do imunizante foram reveladas pelos irmãos Miranda em entrevista à Folha e, depois, também na própria CPI da Covid. Logo depois, o governo decidir suspender a compra da vacina Covaxin – mesmo que um dia antes, a Precisa tenha entrado com um pedido na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para uso emergencial do imunizante.

Além da CPI da Covid, o caso Covaxin também é investigado pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pelo Tribunal de Contas da União.

Ao mesmo tempo, o Supremo Tribunal Federal aprovou um inquérito feito pela Procuradoria Geral da União para apurar o envolvimento do presidente Jair Bolsonaro no caso. A suspeita é que ele tenha cometido o crime de prevaricação, ao deixar de denunciar as irregularidades. O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) alega ter contato ao presidente sobre o caso ainda em março.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos