CPI da Covid: “O senhor está abandonado aqui”, diz Randolfe para Ernesto Araújo

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Randolfe Rodrigues na CPI da Covid no Senado (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
Randolfe Rodrigues na CPI da Covid no Senado (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
  • Vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues questionou Ernesto Araújo sobre atuação do Itamaraty na crise de Manaus

  • “A base do governo abandonou o senhor aqui na CPI, responda as perguntas, pense na sua biografia”, disse Randolfe

  • Ex-ministro das Relações Exteriores não conseguiu explicar viagem de comitiva a Israel para negociar spray nasal

O vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), questionou o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo sobre a participação do Itamaraty na crise do oxigênio em Amazonas. 

Ao vivo: Acompanhe o depoimento de Ernesto Araújo na CPI da Covid

Em seu depoimento, Araújo afirmou não ter feito nenhum contato com o governo da Venezuela para pedir ou agradecer apoio humanitário para a crise de oxigênio em Manaus.

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Anteriormente, o ex-ministro das Relações Exteriores também não conseguiu explicar a viagem da comitiva brasileira a Israel para negociar um acordo para tentar trazer ao Brasil o spray nasal EXO-CD24, ainda em fase inicial de testes, que seria usado no combate à covid-19.

“A base do governo abandonou o senhor aqui na CPI, responda as perguntas, pense na sua biografia”, provocou Randolfe.

Araújo admitiu que não houve contato com a Venezuela, que fez a doação de cilindros de oxigênio medicinal para o estado brasileiro, nem para agradecer.

"O Ministério das Relações Exteriores não interferiu para conseguir um avião para Manaus, o oxigênio da Venezuela veio pela estrada, o senhor não fez nada e muita gente morreu", acrescentou o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM).

Viagem de comitiva a Israel

Randolfe Rodrigues perguntou sobre a presença do assessor especial do presidente Jair Bolsonaro Max Moura na comitiva: Qual especialidade dele, por que motivo foi a Israel, qual era o papel técnico dele na viagem?.

Ernesto disse que havia no grupo outros especialistas e que ele, que também não é técnico em Saúde, estava na comitiva.

Randolfe rebateu, alegando que não há comparação já que ele era ministro das Relações Exteriores.

Araújo não respondeu a questão.

Atuação do Itamaraty por cloroquina

Em seu depoimento à CPI, Ernesto Araújo confirmou a atuação do Itamaraty para importação de hidroxicloroquina e cloroquina, mas afirmou que a ação foi a pedido do Ministério da Saúde. 

"Houve busca por cloroquina. Em função de um pedido do Ministério da Saúde, procuramos viabilizar insumos para hidroxicloroquina. É um remédio para doenças crônicas. É necessário que tenha seu estoque preservado e esse estoque havia baixado", disse o ex-chanceler.

Reportagem da Folha de S. Paulo, publicada na semana passada, apontou que telegramas mostram que o ex-ministro das Relações Exteriores mobilizou o Itamaraty para importar cloroquina, mesmo depois de o remédio ser apontado como ineficaz contra a Covid-19 e ser descartado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Declarações anti-chinesas

Perguntado também sobre declarações anti-chinesas, o ex-ministro negou atritos com a China. “Jamais promovi nenhum atrito com a China”.

O senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da comissão, alertou que Araújo está sob juramento e que já deu muitas declarações contra a China como chamar o coronavírus de “comunavírus”. “Você está faltando com a verdade”.

Calheiros questionou ainda sobre o alinhamento do Brasil com Donald Trump, ex-presidente do Estados Unidos, se essa relação próxima trouxe benefícios no combate à pandemia. Araújo afirmou que “não houve alinhamento com os Estados Unidos”.

O ex-ministro disse considerar que a aproximação com os EUA ajudou o Brasil em alguns aspectos no enfrentamento à pandemia em 2020, mas não com vacinas, já que no governo Trump houve a proibição de qualquer exportação de imunizantes.