CPI da Covid tem de investigar acusação e acusador de cobrança de propina

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Convocado para a CPI da Covid por ter acusado o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde de cobrar propina, o vendedor e policial militar de Minas Gerais Luiz Paulo Dominguetti tentou incriminar o primeiro acusador de corrupção na pasta nesta quinta-feira. Dominguetti mostrou uma gravação sugerindo que o deputado Luis Miranda (DEM-DF) ofereceu facilidades para a venda de vacinas ao ministério.

Miranda e o irmão Luis Ricardo, servidor do ministério, na sexta-feira, em um longo depoimento, reforçaram as acusações de que houve pressão indevida para a compra de vacinas Covaxin da Índia, e que o presidente Jair Bolsonaro, ao ser informado disso pelo deputado, sugeriu que o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), estava por trás do interesse na aquisição.

Ao GLOBO, Cristiano Alberto Carvalho, representante da Davati, para quem Dominguetti trabalhava, já negou que o áudio com a voz de Miranda divulgada pelo policial militar na CPI na manhã de hoje tratasse de compra de vacinas. Carvalho, de quem Dominguetti disse ter recebido a gravação, afirmou que o PM quer apenas "aparecer".

Para a CPI continuar na pista do contrato da Covaxin, será preciso averiguar se Dominguetti queria apenas aparecer, ou se trata de uma testemunha plantada em uma operação para desmoralizar os primeiros acusadores, e por tabela, a própria comissão. A suspeita de operação de contra-informação foi lançada por Fabiano Contarato (Rede-ES), que antes de ser senador foi delegado da Polícia Civil, como gosta de lembrar sempre que tem chance. A condição de Dominguetti de policial miltar, categoria em que não faltam aliados e admiradores do presidente Jair Bolsonaro, levanta suspeitas, diante da reviravolta que tenta protagonizar na CPI.

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