CPI da Covid: Wajngarten admite que Secom pagou influenciadores para divulgar medicamentos ineficazes

Former Brazil's Chief of the Secretariat of Social Communication (SECOM) Fabio Wajngarten attends a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil May 12, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação, depõe à CPI da Covid nesta quarta-feira (12) (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • Wajngarten confirmou que Secom pagou influenciadores para divulgarem o chamado "tratamento precoce"

  • Gasto foi de R$ 23 mil, segundo Fabio Wajngarten

  • Ex-secretário de Comunicação depõe à CPI da Covid nesta quarta-feira (12)

Em depoimento na CPI da Covid no Senado, o ex-secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten, confirmou que pagou influenciadores para fazerem campanhas a favor do chamado "tratamento precoce".

O "tratamento precoce", amplamente defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), seria o uso de medicamento sem comprovação científica para prevenir a covid-19. Atualmente, sabe-se que não há qualquer medicamento capaz de prevenir a infecção pelo coronavírus.

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Renan Calheiros citou a reportagem da Agência Pública, que divulgou que a Secretaria de Comunicação gastou R$ 23 mil reais com os influenciadores:

  • Flavia Viana - R$ 11.500

  • João Zoli - R$ 6 mil

  • Jéssika Taynara - R$ 3 mil

  • Pam Puertas - R$ 2.500

Wajngarten confirmou a informação. "Se não me engano, o total dos caches dos influenciadores deu R$ 23 mil. E por que naquele momento a agência sugeriu que usasse os influenciadores? Porque eles têm muitos seguidores e isso daria mais credibilidade", justificou.

Sobre a CPI da Covid no Senado

O que deve ser investigado pela CPI

  • Ações de enfrentamento à Pandemia, incluindo vacinas e outras medidas como a distribuição de meios para proteção individual, estratégia de comunicação oficial e o aplicativo TrateCOV;

  • Assistência farmacêutica, com a produção e distribuição de medicamentos sem comprovação

  • Estruturas de combate à crise;

  • Colapso no sistema de saúde no Amazonas;

  • Ações de prevenção e atenção da saúde indígena;

  • Emprego de recursos federais, que inclui critérios de repasses de recursos federais para estados e municípios, mas também ações econômicas como auxílio emergencial.

Quem é o relator da CPI, Renan Calheiros

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai apurar eventuais omissões do governo federal no combate à pandemia terá como relator o senador Renan Calheiros (MDB-AL). O colegiado será presidido por Omar Aziz (PSD-AM) e o vice-presidente será o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Crítico ao governo Jair Bolsonaro, Renan Calheiros será responsável por dar o rumo aos trabalhos e produzir o texto final, que pode ser encaminhado ao Ministério Público e a outros órgãos de controle.

É um dos nomes mais antigos no Senado brasileiro. Ele está há 26 anos na Casa e tem mandato até janeiro de 2027. Foi três vezes presidente do Senado, além de ministro da Justiça no governo FHC. É pai do governador de Alagoas, Renan Filho (MDB).

Crítico ao governo de Jair Bolsonaro, nesta semana, Renan Calheiros defendeu que o MDB apoie o ex-presidente Lula na eleição presidencial de 2022.

Como vai funcionar a CPI no Senado

O que diz a Constituição?

A Constituição estabelece que são necessários três requisitos para que uma CPI possa funcionar: assinaturas de apoio de um terço dos parlamentares da Casa legislativa (no caso do Senado são necessários 27 apoios); um fato determinado a ser investigado; e um tempo limitado de funcionamento.

Quanto tempo pode durar uma CPI?

Depende do prazo que o autor do requerimento estipular. No caso da CPI da Covid, o prazo inicial é de 90 dias, conforme requerimento do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) de 15 de janeiro.

Quais os poderes de uma CPI?

Poderes de investigação próprios dos juízes, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas. No Senado, os membros da CPI podem realizar diligências, convocar ministros de Estado, tomar o depoimento de qualquer autoridade, inquirir testemunhas, sob compromisso, ouvir indiciados, requisitar de órgão público informações ou documentos de qualquer natureza e ainda requerer ao Tribunal de Contas da União a realização de inspeções.