CPI da Covid: Witzel acusa Bolsonaro pelas mortes na pandemia: "Deixou governadores à mercê"

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Ex-governador do RJ Wilson Witzel em sua chegada à sala da CPI da Covid no Senado para prestar depoimento
Ex-governador do RJ Wilson Witzel presta depoimento à CPI da Covid no Senado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • Wilson Witzel acusa Jair Bolsonaro por mortes na pandemia, durante depoimento à CPI da Covid

  • Ele afirmou que governadores e prefeitos ficaram "desamparados" na pandemia

  • " Presidente deixou os governadores à mercê da desgraça que viria. O único responsável pelos 450 mil mortos tem nome, endereço e tem que ser responsabilizado aqui", disse

Em seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, nesta quarta-feira (16), o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC) começou sua fala responsabilizando o presidente Jair Bolsonaro pelas mortes na pandemia. 

Segundo ele, governadores e prefeitos ficaram "desamparados" neste período.

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"Como em um país em que o PR não dialoga com o governador? O presidente deixou os governadores à mercê da desgraça que viria. O único responsável pelos 450 mil mortos tem nome, endereço e tem que ser responsabilizado aqui, no Tribunal Penal Internacional pelos atos que praticou", afirmou.

Witzel acusou ainda o governo federal de construir uma narrativa para responsabilizar e perseguir os governadores, por adotarem medidas de isolamento social para conter a disseminação do coronavírus.

"Solicitaram reuniões com presidente e nas reuniões em que participei foi politizada".

Ele disse também que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), foi tratado de forma "descortês" durante reunião dos gestores estaduais e o presidente da República.

Em sua defesa, Witzel disse à CPI que foi cassado por um tribunal de exceção e classificou seu impeachment como uma “vergonha para a história do Brasil”, porque o tribunal foi “totalmente parcial”.

Em relação à compra de respiradores, Witzel disse que as negociações eram internacionais e que não foram feitas. Ele afirmou que governo federal, para se livrar das consequências da pandemia, criou uma narrativa, pensada, de que os governos estaduais ficariam em situação de fragilidade e não conseguiram comprar insumos e equipamentos.

Munido de um habeas corpus, que não o obriga a dizer a verdade, Witzel se comprometeu com à CPI. O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia autorizado o não comparecimento de Witzel ao colegiado e deu a ele a permissão de ficar calado durante a oitiva.

"Não tenho medo da verdade, estou à disposição", disse.

Caso Marielle

Wilson Witzel afirma que passou a ser perseguido depois da prisão dos executores do assassinato da vereadora Marielle Franco. O ex-governador disse que, após ser acusado pelo presidente de interferir na investigação da morte da vereadora Marielle para atingi-lo, não foi mais recebido pelo governo federal.

"A partir caso Marielle que o governo federal começou a retaliar. Nós tínhamos dificuldade de falar com os ministros e ser atendidos. Encontrei o ministro [Paulo] Guedes [da Economia]. Ele virou a cara e saiu correndo: "não posso falar com você", afirmou o ex-governador.

Witzel contou também que, em um encontro do ex-ministro Sergio Moro, ele não quis tirar foto, e disse que não poderia dar publicidade ao encontro.

"Moro me disse: ‘Witzel o chefe falou para você parar de falar que você quer ser presidente. E, se você não parar de falar que ser presidente, infelizmente, ele não vai te atender em nada’, disse o ex-governador, que teria respondido, "Moro, eu acho que você está no caminho errado. Se quer ser ministro do Supremo, não tem que fazer isso".

Ele ainda chamou o governo Bolsonaro de "chavismo ao contrário".

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