CPI da Pandemia: "Fato novo desta semana", diz Aziz sobre depoimento de servidor do TCU

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<p>Em entrevista ao Yahoo! Notícias, o presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM), falou sobre como serão os trabalhos da comissão nas próximas semanas, com o aprofundamento das revelações já feitas até o momento, e também sobre o cenário político do país diante das declarações e atitudes do presidente Jair Bolsonaro e de seus apoiadores.</p>
Entrevista do senador Omar Aziz (PSD-AM) ao Yahoo! Notícias
  • O presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz, classificou o depoimento desta terça, do servidor do TCU Alexandre Marques, como o "fato novo" desta semana na comissão

  • Aziz afirmou que espera que os trabalhos da CPI sejam encerrados até o mês de outubro

  • O senador comentou ainda sobre as declarações e atitudes do presidente Jair Bolsonaro e de seus apoiadores

Com colaboração de Anita Efraim e Gabriel Melloni 

O presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM), classificou o depoimento desta terça-feira (17), do servidor do Tribunal de Contas da União (TCU) Alexandre Marques, como o "fato novo" desta semana na comissão. Aziz deu uma entrevista exclusiva ao Yahoo! Notícias.

Marques precisa dar esclarecimentos sobre um falso documento que foi utilizado pelo presidente Jair Bolsonaro para dizer que governadores e prefeitos superestimaram o número de mortes por covid-19 no país. O servidor era o responsável pelo parecer. À época, no início de junho, Bolsonaro disse que o relatório era do TCU, o que não era verdade.

Questionado sobre a possibilidade de o documento ter sido fraudado, Omar Aziz citou ainda outros elementos que elevam as expectativas em relação ao depoimento. "Por que que ele toma iniciativa de usar uma estrutura de estado para passar informação para o pai?", questionou. Ainda sobre a audiência desta terça, Aziz fez outro apontamento. "Não tem só isso. Ele também foi indicado ao BNDES".

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O TCU abriu um procedimento interno para investigar o caso. Ao ser ouvido pela Corregedoria do órgão, Marques afirmou que o documento foi adulterado. De acordo com informações do jornal O Globo, o servidor informou que enviou um arquivo de word ao seu pai, sem nem fazer menção ao Tribunal, e que não imaginava que seria enviado à Presidência da República. O pai de Alexandre Marques é o coronel reformado Ricardo Silva Marques.

"A novidade é quem são as pessoas responsáveis por esses fatos"

Senador Omar Aziz em entrevista ao Yahoo! Notícias (Foto: Reprodução)
Senador Omar Aziz em entrevista ao Yahoo! Notícias (Foto: Reprodução)

Ao comentar sobre o depoimento de Francisco Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos, marcado para quinta-feira (19), Aziz ressaltou que "a novidade é quem são as pessoas responsáveis por esses fatos".

"A Precisa não é fato novo. Não dá para esperar que o Maximiano chegue lá e conte para a gente tudo aquilo que vocês estão esperando", afirmou o senador ao falar sobre a audiência com Maximiano, que foi adiada outras vezes. "Ele vai tentar fugir, vai tentar negar, vai tentar não contar. Mas nós temos que ter habilidade pra tentar tirar o máximo possível. Então, não tem mais novidade em relação aos fatos que ocorreram em relação à pandemia. A novidade é quem são as pessoas responsáveis por esses fatos", detalhou o senador.

Na entrevista ao Yahoo! Notícias, o presidente da CPI da Pandemia afirmou que espera que os trabalhos da comissão sejam encerrados até o mês de outubro. Omar Aziz disse que não haverá um relatório preliminar, apenas o final, que será produzido por Renan Calheiros (MDB-AL), relator do colegiado. 

"Bolsonaro está fissurado na eleição"

Aziz também afirmou que a mensagem de Jair Bolsonaro a apoiadores, sobre a necessidade de um “contragolpe” não passa de um “factoide”. Por meio do WhatsApp, o presidente ainda convocou bolsonaristas para uma manifestação em 7 de setembro.

“Estamos vivendo um momento difícil no Brasil, muito complicado. Taxa alta de desemprego, inflação em dois dígitos, problemas na saúde, segurança pública, educação... E o presidente criando factoides", declarou.

A suposta manifestação citada na mensagem, revelada pelo portal Metrópoles, teria como objetivo mostrar que tanto Bolsonaro quanto as Forças Armadas têm apoio suficiente para uma possível ruptura institucional.

Segundo o Metrópoles, Bolsonaro enviou a mensagem do número pessoal dele, diretamente para integrantes do governo e amigos. O texto é assinado por um grupo bolsonarista no Facebook, chamado “Ativistas direitas volver”.

Para Aziz, porém, trata-se de mais um artifício utilizado pelo presidente já mirando a eleição do ano que vem. Bolsonaro estaria agindo para desviar o foco de questões como a própria CPI e os escândalos recentes protagonizados por ele e sua família.

"O presidente usa isso para desviar o foco do que deveríamos discutir. É mais um factoide, uma fuga do debate político com conteúdo, para levar para o lado que interessa a ele, que é só a eleição. Ele está fissurado na eleição. As pautas dele são todas de cunho político, partidário e eleitoral".

"Ameaças não vão nos intimidar"

Além disso, o senador Omar Aziz afirmou que as posições do presidente Jair Bolsonaro e de seus apoiadores não intimidaram e nem vão intimidar os senadores da CPI. Segundo Aziz, aconteceram ameaças até de morte e houve uma tentativa de manchar a imagem dos parlamentares do chamado G7, opositores do presidente.

"É só ver a internet: ameaças de morte, ameaça disso, ameaça daquilo, desconstrução, tentando desconstruir os membros da CPI de manhã, de tarde e de noite. Notas do ministro da Defesa junto com as Forças Armadas", listou Aziz.

"Isso não nos intimidou e nem vai nos intimidar. Acho que estamos chegando ao final da investigação, precisamos fazer o relatório o mais rápido possível e entregar para as autoridades competentes para que tomem as providências necessárias. O que o Brasil ficou sabendo, o que vocês da imprensa ficaram sabendo, foi muitas dessas coisas através da CPI". 

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