CPI encontra citação a Bolsonaro em celular de PM que denúnciou propina de US$1 por dose de vacina

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Luiz Paulo Dominguetti, the representative of Davati Medical Supply, attends a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil July 1, 2021. REUTERS/Adriano Machado
O cabo da PM não explica quem teria informado o presidente Bolsonaro. Segundo o Jornal Nacional, o interlocutor das conversas também não foi identificado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • O policial militar Luiz Paulo Dominghetti afirmou que o presidente Jair Bolsonaro sabia das tratativas entre a empresa que representava e o governo federal

  • O PM é o suposto representante da Davati Medical Supply que denunciou o pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina contra a Covid-19 pelo Ministério da Saúde

  • A citação ao presidente aparece em uma mensagem de março deste ano, obtida no celular de Dominghetti apreendido durante depoimento na CPI da Covid

O policial militar Luiz Paulo Dominghetti, suposto representante da Davati Medical Supply que denunciou o pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina contra a Covid-19 pelo Ministério da Saúde, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sabia das tratativas entre a empresa que representava e o governo federal. 

"Já houve três reuniões. Na última sexta-feira com o secretário Franco e um coronel. O dono da Davati enviou o e-mail pessoalmente. Segundo informações, o próprio presidente Bolsonaro já foi informado das vacinas", afirmou Dominghetti.

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A citação ao presidente aparece em uma mensagem de março deste ano, que foi obtida no celular de Dominghetti apreendido durante depoimento prestado por ele na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. As conversas foram reveladas pelo Jornal Nacional, da TV Globo.

O cabo da PM não explica quem teria informado o presidente Bolsonaro. Segundo o Jornal Nacional, o interlocutor das conversas também não foi identificado.

Nas conversas de fevereiro, quando cita como seria realizada a divisão do pagamento e a comissão por dose de imunizante, Dominghetti conversa com uma pessoa identificada com Guilherme Filho Odilon.

À CPI da Covid, o PM citou uma pessoa de nome Odilon. Segundo ele, Odilon seria o responsável por lhe apresentar ao tenente-coronel Marcelo Blanco. 

"Ao Coronel Blanco chegamos através de um parceiro comercial de nome Odilon, que no passado havia tentado efetuar a compra de um medicamento. É um parceiro que veio, que estava... Tinha um propofol no mercado, uma empresa, uma distribuidora queria fazer uma compra grande de propofol, e ele fez a cotação", afirmou.

Saúde marcou reunião com Davati em cinco horas

Segundo reportagem exibida no domingo (4) no Fantástico, da TV Globo, o Ministério da Saúde marcou reunião com a Davati Medical Supply, menos de cinco horas depois de receber a proposta da empresa para aquisição de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca

O programa teve acesso a emails e a mensagens enviadas por Dominghetti, que é o autor da denúncia de corrupção e pedido de propina, feita ao jornal Folha de S. Paulo e confirmado na semana passada, por ele próprio, na CPI da Covid.

Segundo a reportagem da TV Globo, Hernan Cardenas, diretor da Davati, encaminhou email a Roberto Dias, diretor de Logística do Ministério da Saúde. Na mensagem, ele ofereceu as doses da vacina. Era dia 26 de fevereiro.

Às 10h30, o governo brasileiro respondeu marcando uma reunião para o mesmo dia, menos de cinco horas depois.

"Este ministério manifesta total interesse na aquisição das vacinas. Agendar uma reunião, hoje, às 15h", diz o email do Ministério da Saúde em resposta à Davati.

Brazil's President Jair Bolsonaro speaks during a ceremony to launch a Brazilian tourism program, at the Planalto presidential palace, in Brasilia, Brazil, Thursday, June 10, 2021. (AP Photo/Eraldo Peres)
Em nota, a Davati infomou não ser representante do laboratório AstraZeneca e que não detinha a posso das vacinas (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)

Na denúncia de Dominghetti ao jornal Folha de S. Paulo, ele disse que o então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, cobrou propina de US$ 1 por dose de vacina. Segundo Dominguetti, a cobrança de propina foi feita durante um jantar em um restaurante no Brasília Shopping. Era dia 25 de fevereiro de 2021 — ou seja, um dia antes do email obtido pelo Fantástico.

"Nos chama a atenção essa rapidez com que a Davati acessou os altos escalões do Ministério da Saúde. Se o governo tivesse tido a mesma serenidade com a Pfizer, que teve com a Davati, nós já teríamos brasileiros imunizados desde dezembro", disse o vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), em entrevista ao Fantástico.

Em nota, a Davati infomou não ser representante do laboratório AstraZeneca e que não detinha a posso das vacinas.

"[A emrpesa] jamais se apresentou ao governo federal ou a qualquer outro órgão como tal. Como esclarece o documento de oferta (Full Corporate Offer) feita ao Ministério da Saúde, a Davati Medical Supply não detinha a posse das vacinas, atuando na aproximação entre o governo federal e "allocation holder" que possuía créditos vacinas do laboratório AstraZeneca".

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