CPI investigará presidente do Peru por suposto tráfico de influência

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Uma Comissão Parlamentar do Congresso do Peru concordou nesta quarta-feira (15) em investigar o presidente Pedro Castillo em um caso de suposto tráfico de influências, sobre o qual o Ministério Público também abriu uma investigação no final de maio.

"Decidimos colocar o presidente Pedro Castillo sob condição de investigado para apontar possíveis responsabilidades criminais no relatório que vamos emitir", disse o presidente da Comissão de Fiscalização do Congresso, o opositor Héctor Ventura.

"O presidente foi citado [como testemunha] em até três oportunidades e se mostrou relutante [em comparecer]", acrescentou Ventura em coletiva de imprensa, ao explicar a mudança do status de testemunha para investigado.

De fato, Castillo não se apresentou como testemunha nas três convocações feitas pela comissão parlamentar nos últimos meses.

"Há grandes indícios e suspeitas reveladoras de supostos atos de corrupção", disse Ventura, do partido fujimorista Força Popular (direita populista).

O Ministério Público incluiu Castillo em uma investigação do mesmo caso, sobre supostos crimes de tráfico de influências, organização criminosa e conluio agravado.

Trata-se da investigação do consórcio "Puente Tarata III", que busca determinar se um ex-ministro dos Transportes, seis parlamentares, um ex-secretário-geral da Presidência e dois sobrinhos de Castillo faziam parte de uma suposta rede criminosa chefiada pelo presidente para conceder um contrato de obras públicas.

O MP planeja interrogar Castillo em 17 de junho, enquanto os investigados do entorno presidencial estão escondidos após a emissão de uma ordem de prisão preventiva contra eles.

Embora a lei peruana impeça que um presidente seja processado enquanto estiver no poder, isso não impede que as investigações contra ele avancem. O mandato do presidente de esquerda vai até julho de 2026.

Castillo afirmou em 30 de maio que a promotoria iniciou uma "perseguição política" contra ele, mas no domingo concordou em cooperar e negou qualquer ato ilegal de sua parte.

"Vou colaborar, vou atender a convocação do procurador ou outras instâncias que tenham a ver com a investigação", disse o presidente durante entrevista à emissora estatal TV Peru, na qual descartou qualquer tentativa de evadir a justiça.

"Jamais vou me envolver em corrupção", enfatizou o presidente, um professor rural de 52 anos que está no cargo há quase 11 meses.

Enquanto isso, o advogado de Castillo, Benji Espinoza, buscava bloquear a investigação nesta quarta-feira perante um juiz, apelando à imunidade do presidente.

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