"CPI não terá efeito algum", prevê presidente da Câmara mesmo com comissão ainda em andamento

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President of Brazil's Lower House Arthur Lira gestures as he arrives for the launch ceremony of the platform Participa + Brasil, at the Planalto Palace, in Brasilia, Brasil, on February 8, 2020. (Photo by Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)
Em andamento há quase dois meses, a CPI da Covid investiga as ações e possíveis omissões do governo Bolsonaro na pandemia reuniu diversas acusações contra o governo bolsonarista (Foto: Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)
  • O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado não terá efeito algum

  • Em andamento há quase dois meses, a CPI da Covid investiga as ações e possíveis omissões do governo Bolsonaro na pandemia reuniu diversas acusações contra o governo bolsonarista

  • Lira comparou a pandemia a uma "guerra", disse que falta uma "circustância política" para o impeachment de Jair Bolsonaro (sem partido) e que não acredita em "terceira via" em 2022

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado não terá efeito algum. Em entrevista ao jornal O Globo, Lira comparou a pandemia do coronavírus a uma "guerra", afirmou que "neste momento, a CPI é um erro" e disse que falta uma "circustância política" para a abertura do processo de impeachment contra Jair Bolsonaro (sem partido).

"Neste momento, a CPI é um erro. A guerra está no meio. Como é que você vai apurar crime de guerra no meio da guerra? Como vai dizer qual é o certo? [...] No combate à pandemia, não tem receita de bolo pronta. Você não sabe qual variante (predomina), se fica ou sai de lockdown. A CPI polarizou politicamente e não vai trazer efeito algum, a não ser que pegue alguma coisa", disse.

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Lira também defende que não houve atraso na compra de vacinas da Pfizer. Caso o governo Bolsonaro tivesse adquirido os imunizantes antes, diz Lira, “não teria resolvido o problema da pandemia”. Mas não é o que foi levantado pela CPI da Covid. 

Em andamento há quase dois meses, a CPI da Covid investiga as ações e possíveis omissões do governo Bolsonaro na pandemia reuniu diversas acusações contra o governo bolsonarista. O vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), contabilizou 53 emails ignorados da farmacêutica pelo governo federal a partir da agosto sobre as 70 milhões de doses.

Em documento, a CPI revelou que a Pfizer contatou a embaixada do Brasil em Washington, nos Estados Unidos, em 27 de agosto de 2020 em busca de ajuda para conseguir uma resposta do governo brasileiro sobre a compra de seus imunizantes

"Participei das conversas com a Pfizer, numa reunião em fevereiro com o Rodrigo Pacheco, o (Paulo) Guedes, o general (Luiz Eduardo) Ramos e o presidente Bolsonaro. Naquela época, não tinha autorização da Anvisa e achavam que o contrato era leonino. O que dissemos? Se tem dinheiro, se tem empenho, se o mundo todo está assinando esse contrato... Então, faça", disse.

"Do dia em que a Pfizer propôs ao dia em que o governo fez (o contrato), se não errei as contas, alteraria em três milhões de doses (a mais). É muita dose. Ajudaria muita gente. Mas resolveria o problema da pandemia?".

Brazil's President Jair Bolsonaro, next to President of Brazil's Lower House Arthur Lira and President of Brazil's Senate Rodrigo Pacheco, speaks with Brazil's Economy Minister Paulo Guedes after the launch ceremony of the platform Participa + Brasil, at the Planalto Palace, in Brasilia, Brasil, on February 8, 2020. (Photo by Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)
No entanto, ao ser questionado se essa tragédia não seria motivo para instaurar um processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Lira afirmou que falta uma circunstância política (Foto: Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)

O que falta para seguir com o impeachment de Bolsonaro?

Durante entrevista, o parlamentar lamentou as mais de 500 mil mortes por Covid-19 no Brasil. No entanto, ao ser questionado se essa tragédia não seria motivo para instaurar um processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Lira afirmou que falta uma circunstância política. 

"A minha função no impeachment é de neutralidade. Não sou eu que faço o impeachment. Você quer dizer que o presidente Bolsonaro não tem voto na Câmara para segurar um pedido de impeachment? Que ele não tem base de apoio popular para se contrapor a um pedido de impeachment? Então, o que é que estão querendo? Que eu desorganize o país, que eu comece uma conflagração de 122 votos que querem contra 347 que não querem? Vocês querem testar? O que a população quer é testar? Acha que é o caminho? Vamos testar"

"O que eu estou dizendo é que o impeachment é feito com circunstâncias, com uma política fiscal desorganizada, uma política econômica troncha. O impeachment é político", avaliou.

Para seguir com um possível processo de impeachment do presidente da República, Lira reforçou a "falta de circustância".

"Falta circunstância. Falta um conjunto de coisas. Enquanto a economia tiver em crescimento... Veja bem, não estou faltando com respeito a nenhuma vítima. 499 mil, 501 mil, são todas signficativas como uma vida. Pelo amor de Deus! O que estou dizendo é que o impeachment não é feito só disso", reforçou.

"Lula é um player importante", diz Lira sobre eleição de 2022

Sobre a disputa eleitoral em 2022, com Bolsonaro e o ex-presidente Lula no páreo, Lira disse ao Globo que não acredita na possibilidade de uma terceira via.

"Lula é um player importante. Presidente duas vezes. O que eu não acredito é em terceira via. Não tem condição. No Brasil, nunca houve isso. Ao menos depois da volta do voto para presidente. Foi Collor e Lula (em 1989), depois anos de Lula contra o PSDB e a Dilma também (contra o PSDB). E, em 2018, o Bolsonaro substitui o PSDB na disputa com o PT. O PT está sempre lá. Por que não estaria nessa?".

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