CPI para humoristas, projetos e declarações polêmicas: parlamentares abusam do absurdo em 2019

Deputados paulistas querem intimar humoristas por sátira religiosa - Foto: Reprodução/Twitter

O ano de 2019 tem sido marcado por episódios estapafúrdios na política brasileira. O mais recente foi protagonizado por deputados da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) que estão reunindo assinaturas para pedir a abertura de uma CPI que apure um suposto crime contra o sentimento religioso cometido pelo grupo Porta dos Fundos.

Os deputados Frederico D`Avila (PSL), Altair Moraes (Republicanos) e Tenente Nascimento (PSL) publicaram um vídeo em uma rede social citando um filme de natal realizado pelo grupo e afirmando que os comediantes “retiram o valor espiritual da sagrada concepção e desdenham a trajetória de Jesus”.

Leia também

D`Avila alega que o grupo ‘vilipendia as religiões’ e Moraes, em tom áspero, confronta os humoristas. Se não respeitam a fé, vão respeitar o peso da lei”.

Apesar de todo o tom hostil, a instauração da CPI deve ser protocolado apenas em fevereiro de 2020 quando a casa retoma as atividades depois do recesso parlamentar.

Damares e suas polêmicas

Em julho, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos justificou o abuso sexual sofrido por moradoras da Ilha de Marajó, no Pará, por “falta de calcinhas".

"Especialistas chegaram a falar para nós que as meninas lá são exploradas porque elas não têm calcinhas, elas não usam calcinha porque são pobres”, disse a ministra ao comentar o alto índice de estupro na região.

Bobagem?

Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, está na berlinda desde que a crise ambiental se instalou na Amazônia com o número crescente de queimadas e índices recordes de desmatamento. Ainda assim, em agosto, ele deu uma declaração desconectada com a realidade.

“[A Amazônia] Ela é um patrimônio brasileiro. Essa história de que pertence à humanidade é uma bobagem. Nós temos soberania sobre a Amazônia. Somos nós que temos de escolher um modelo, que tem de ser viável economicamente, de proteção da nossa floresta. Somos nós que temos de escolher e somos nós que temos de implementar. Todo o cuidado com a Amazônia que inspira atenção do mundo inteiro é bem-vindo, mas a autonomia de fazer isso é da população brasileira.

Apesar de toda a “segurança do ministro, dados mostram que o desmatamento segue avançando na região.

“Intolerância ideológica”

Em agosto, o deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ) sugeriu a instituição do Dia Nacional de Combate à Intolerância Ideológica”. A data seria 6 de setembro, quando o então candidato à Presidência Jair Bolsonaro foi vítima de uma facada durante uma passeata em Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Em um trecho do projeto, o deputado justifica que é necessário evitar a violência física ou difamatória ocasionada por conflitos ideológicos.

Jordy é conhecido por ser um parlamentar que critica o que chama de “Ditadura do Politicamente Correto”, além de associar grupos de esquerda ao cometimento de práticas terroristas.