CPI convoca auxiliar de Pazuello citado por "pressão" no caso Covaxin

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CPI da Covid no Senado
CPI da Covid no Senado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • CPI da Covid no Senado convoca Alex Lial Marinho, ex-coordenador do Ministério da Saúde na gestão Pazuello

  • Ele é apontado como um dos responsáveis pela "pressão" para garantir a importação da vacina Covaxin, cujo processo é alvo de investigação

  • Senadores aprovaram também quebra de sigilos do auxiliar do ex-ministro Eduardo Pazuello

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado aprovou nesta quarta-feira (23) a convocação e a quebra do sigilo fiscal, bancário, telefônico e telemático do tenente-coronel Alex Lial Marinho, ex-coordenador-geral de Aquisições de Insumos Estratégicos para Saúde do Ministério da Saúde. 

Ele foi apontado por Luís Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, como um dos responsáveis pela pressão para garantir a importação da vacina Covaxin

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Em depoimento ao MPF, o servidor disse ter “sofrido pressão atípica” de superiores durante o processo de compra da vacina indiana. Além disso, o responsável pelos processos de importação do Ministério da Saúde afirmou que houve ingerência de superiores junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). As pendências existentes eram uma responsabilidade da empresa.

O contrato para a compra da Covaxin totalizou R$ 1,6 bilhão e foi firmado entre o Ministério da Saúde e a empresa Precisa, que representa o laboratório indiano no Brasil, durante a gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello.

Marinho chegou em junho de 2020 ao cargo de coordenador-geral de Logística de Insumos Estratégicos para Saúde pelas mãos do general da ativa Eduardo Pazuello, e perdeu o cargo no último dia 8, já na gestão de Marcelo Queiroga.

O Ministério Público Federal (MPF) apura indícios de crime na compra feita pelo Ministério da Saúde de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin. O governo do presidente Jair Bolsonaro comprou a vacina produzida pela farmacêutica indiana Bharat Biotech por um valor 1.000% maior do que o estimado pela própria empresa seis meses antes.

A dose da Covaxin é a mais cara entre todas as que foram contratadas pelo Ministério da Saúde, e o processo de aquisição o mais célere de todos, apesar dos alertas sobre “dúvidas” em relação à eficácia, à segurança e ao preço da Covaxin.

O empresário Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, não compareceu ao depoimento à CPI da Covid no Senado marcado para esta quarta-feira (23). Ele alegou que está em quarentena em razão de uma viagem recente à Índia.

"Tropa de choque" do governo

Também foi aprovada a convocação de Thais Amaral Moura, assessora especial da Presidência da República. Ela é responsável por elaborar requerimentos em nome de senadores que compõem a “tropa de choque” no governo na CPI.

De acordo com o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), informações recebidas pela comissão indicam a assessora como um “elo entre o governo Bolsonaro e a empresa Precisa Medicamentos”.

A chamada "transferência" do sigilo telefônico inclui o registro e a duração de todas as ligações feitas e recebidas conforme período delimitado pelos senadores.

A transferência do sigilo telemático prevê o envio de uma série de informações, entre as quais cópias do conteúdo armazenado, lista de contatos, cópia de e-mails e localizações de acesso à conta.

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