CPI revela fraudes em empresa fiadora no caso Covaxin: “Típico caso de recomendar prisão”, diz Renan

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Roberto Pereira Ramos, sócio do FIB Bank, e o relator da CPI da Covid no Senado, Renan Calheiros (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
Roberto Pereira Ramos, sócio do FIB Bank, e o relator da CPI da Covid no Senado, Renan Calheiros (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
  • CPI da Covid revela fraudes em empresa fiadora no caso Covaxin

  • “Típico caso de recomendar prisão”, diz Renan Calheiros, relator da CPI

  • Uso de 'laranjas' e de sócios mortos causam espanto entre senadores

Diante dos indícios de irregularidades envolvendo a FIB Bank, o relator da CPI da Covid no Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), sugeriu a prisão de Roberto Pereira Ramos, sócio da empresa, após contradições no depoimento nesta quarta-feira (25) e suspeitas de irregularidades. “Típico caso de recomendar prisão”, avaliou o senador.

No entanto, na avaliação do presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), é de que o depoente está protegido por um habeas corpus. Mas cogitou adotar "medidas mais drásticas".

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Vice-presidente da CPI, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apresentou durante a sessão um vídeo em que um vendedor de Alagoas diz ter tido sua assinatura falsificada e seu nome usado indevidamente como sócio ativo do FIB Bank.

A empresa atua como uma fiadora e ofereceu garantia financeira de R$ 80,7 milhões no contrato firmado entre a Precisa Medicamentos e o Ministério da Saúde para fornecimento de 20 milhões de doses da vacina Covaxin. O contrato de compra da Covaxin, que totalizava R$ 1,6 bilhão, foi cancelado após suspeitas de irregularidades.

O vendedor relatou na gravação que descobriu que constava como sócio do FIB Bank em 2015, quando tentou financiar uma moto em Alagoas e descobriu ter restrição de crédito por participar do quadro societário de empresas de São Paulo.

“Meses depois, fui demitido do emprego que tinha e não consegui receber meu seguro desemprego por ainda participar do quadro societário dessas empresas, sendo uma delas a FIB Bank”, contou.

O relator da CPI afirmou que o FIB Bank é uma empresa “que foi criada com laranja, em Alagoas, para garantir fiança para os grandes contratos da República, inclusive para licitação”.

“Quer dizer, é uma coisa escabrosa sobre qualquer aspecto”, afirmou Calheiros.

Senadores Omar Aziz e Renan Calheiros, na CPI da Covid no Senado
Senadores Omar Aziz e Renan Calheiros, na CPI da Covid no Senado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Além do caso de Geraldo, os dois sócios da MB Guassu, a dona do terreno de R$ 7,5 bilhões que integra o patrimônio do FIB Bank, estão mortos. E teriam feito uma movimentação em nome da empresa depois de mortos.

“Nenhum outro depoimento foi tão carregado de tantas irregularidades até agora”, afirmou a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA).

Senadores também apontam a ligação do FIB Bank com Marcos Tolentino, amigo pessoal do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR).

"Marcos Tolentino é o verdadeiro dono da FIB BanK, sendo uma espécie de sócio oculto da empresa. Por ser amigo de Ricardo Barros teria facilitado a emissão da carta fiança em favor da Precisa Medicamentos para satisfazer os interesses do deputado na execução do contrato da Covaxin", disse o senador Rogério Carvalho (PT-SE).

'Artimanha' na contratação da Covaxin

Para a senadora Simone Tebet (MDB-MS), a utilização da empresa FIB BanK como garantidora do contrato entre a Precisa Medicamentos e o Ministério da Saúde na compra da vacina Covaxin foi uma "artimanha".

Segunda ela, o ex-ministro Eduardo Pazuello e os ex-servidores da pasta Elcio Franco e Roberto Dias precisam explicar por que concordaram com a assinatura de um contrato que não respeitava as exigências da Lei de Licitações.

"O contrato da Covaxin era fraudulento. Faltavam partes. Valores eram comercializados para serem pagos em paraíso fiscal por quem não fazia parte do contrato. Era um contrato que, em um primeiro momento, não exigia garantia. Quando passou a exigir, [a Precisa] apresentou a garantia de um banco que não é banco. Por que Eduardo Pazuello, Elcio Franco e Roberto Dias assinam um contrato sem as formalidade legais?".

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