Escola em assentamento é incendiada por grupo armado no Pará

Escola em assentamento foi incendiada por grupo armado (Reprodução)
Escola em assentamento foi incendiada por grupo armado (Reprodução)

Uma escola em assentamento em Anapu, sul do Pará, foi incendiada. A Comissão Pastoral da Terra (CPT), disse que na madrugada desta sexta-feira (19), um grupo de homens armados teriam iniciado um ataque à comunidade do Lote 96.

Segundo a denúncia da CPT, os homens armados teriam iniciado teriam iniciado os ataques entre a noite desta quinta (18) e a madrugada desta sexta-feira (19). O grupo atirou contra um agricultor e tocaram fogo na Escola Municipal de Ensino Fundamental Paulo Anacleto, que fica no lote dentro do assentamento Dorothy Stang.

Ao todo, 73 famílias de agricultores habitam na localidade, que fica na gleba pública federal Bacajá, uma área com mais de 80 mil hectares criada em 1983. O lote é uma área de disputa entre agricultores e grileiros.

O Ministério Público Federal (MPF) informou que está acionando os órgãos competentes.

Moradores do local, em áudios, relatam que o grupo atirou contra as casas dos agricultores, algumas pessoas tiveram que se abrigar em uma mata para se esconder.

“Tocaram fogo na escola e houve muito tiroteio por volta das 23h da noite desta quinta-feira (18). Aí nós ficamos à noite no mato. Eu, junto com minha família, passei a noite no mato porque foi muito tiro”, afirma uma moradora.

A CPT disse que os ataques são constantes contra os moradores do lote.

“Isso não foi a primeira vez que os moradores sofreram ataques vindo do rumo da sede que ficou no 96 e da sede da fazendo no lote 28”, denuncia a CPT.

O lote em disputa é uma área pública federal. O possível dono teve o título de propriedade cancelado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a pedido do MPF, em ação civil pública.

A terra está em processo para se tornar um assentamento de reforma agrária. No local, já foi feita vistoria no imóvel, com confecção de um laudo agronômico de fiscalização.

Segundo o MPF, uma das lideranças das famílias moradoras está no programa de proteção a defensores de direitos humanos, por causa de ameaças à sua vida.