CPU achada no teto de sala onde funcionava a Riotur estava vazia, sem HD nem memória

Luiz Ernesto Magalhães
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Foto: Luiza Moraes

A CPU (a torre de um computador) encontrada no teto de uma sala onde funcionava a administração da Riotur estava vazia. Sem unidade de armazenamento (HD) nem memória. Mesmo sem conteúdo algum, físico ou digital, o equipamento tinha uma identificação de patrimônio da Prefeitura do Rio. Agora, uma investigação vai tentar identificar qual era o servidor responsável pelo aparelho.

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A CPU foi encontrada nesta segunda-feira, 11 de janeiro, no forro do teto de uma sala do quinto andar da Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, onde, até dezembro, ficava a administração da Riotur. O equipamento foi encontrado por policiais civis da Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (Ciaf), que integram a equipe responsável pelas investigações de um esquema de cobrança de propinas no governo do ex-prefeito Marcelo Crivella. Segundo as investigações, Rafael Alves, irmão do ex-presidente da Riotur, Marcelo Alves, usava salas da Cidade das Artes para negociar propinas em troca de contratos e outras irregularidades.

O equipamento estava na sala onde, na gestão municipal passada, trabalhava o então vice-presidente da Riotur Lucio Macedo. Com a mudança de prefeito, houve uma reorganização das instalações. Hoje, o quinto andar funciona como sede da Cidade das Artes. A Riotur foi transferida para o quarto andar.

Apesar de Crivella já ter deixado de ser prefeito, a investigação continua na Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro porque a Justiça ainda não transferiu o processo para a primeira instância. Essa é a quarta vez que os agentes vão à Cidade das Artes — as outras foram em 2020, para cumprir mandados de busca e apreensão.

Crivella e Rafael Alves foram presos em 22 de dezembro numa operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio. No esquema que ficou conhecido como “QG da Propina”, de acordo com as apurações do MP, empresários pagavam para ter acesso a contratos e para receber valores que eram devidos pela gestão municipal.